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João Vaz

João Vaz

Redator principal

Não há guerras limpas

22 de outubro de 2026 às 00:30

O presidente Donald Trump, dos EUA, habituou-nos a estarrecer o Mundo com as suas diatribes sobre as guerras na Ucrânia, Palestina, Estreito de Ormuz, Irão e tudo o mais que nos assusta. Para comparação é interessante olhar o que mostra o filme ‘De Gaulle – Resistência’ em exibição nos cinemas. Oitenta e tal anos atrás, na II Guerra Mundial (1939-45), outro presidente norte-americano, Franklin D. Roosevelt, hoje elogiado pelos seus 12 anos no poder, aparece duramente criticado por promover um acordo iníquo negociado pelo general Eisenhower, mais tarde líder heroico do desembarque dos Aliados na Normandia, e o chefe da armada francesa, almirante Darland, confirmado colaboracionista do inimigo nazi. Entre eles combinaram que, em troca de um cessar-fogo, os americanos reconheciam Darland como Alto-Comissário da África Francesa. O facto seria fatal para a incipiente resistência francesa De Gaulle, mas um jovem monarquista matou o almirante com dois tiros, na véspera de Natal de 1942. Dois dias depois, Fernand de seu nome foi executado por pelotão de fuzilamento. No final da guerra, a justiça anulou a condenação por o ato ser no interesse da libertação do país. Não há guerras limpas. Só a paz é pura.

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