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João Vaz

João Vaz

Redator principal

Nascimento de uma grande potência

01 de outubro de 2026 às 00:30

Quando a 1 de outubro de 1949, há 77 anos, Mao Tsé-tung proclamou a fundação da República Popular da China, na Praça Tiananmen, em Pequim, era imprevisível que o Mundo mudasse tanto. Desde então, viveram-se tempos surpreendentes: a China ficou logo dividida entre o praticamente tudo e o quase nada (Taiwan); houve o Grande Salto em Frente (1958-61) com milhões de mortos; a Revolução Cultural (1966-76) com prepotências sem fim; conflitos permanentes com a vizinha URSS. No todo foi de Mao a Piao, com o primeiro a morrer por último (1976). Impôs-se depois o pragmático Deng Xiaoping com predileção por gatos e a quem não interessava que fossem pretos ou brancos, mas que caçassem ratos. Passada a números da economia, a ideia traduziu-se em duas décadas (anos 80 e 90) de crescimento espetacular, ao ritmo anual de dois dígitos. Num ápice apagou-se a imagem de país medieval documentada com sensibilidade e beleza por Michelangelo Antonioni em ‘A China’. Hoje, segunda na economia mundial e sempre mais próxima dos EUA, a nova grande potência várias vezes milenar continua autocrática e avessa às liberdades individuais. A sua iniciativa pauta-se pela discrição e as coisas só se conhecem depois de acontecerem.               

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