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Se perguntarmos a qualquer autor qual o género mais difícil de escrever, a resposta será praticamente comum a todos: humor. Não o humor da piadinha antiga ou a graça brejeira. Escrever humor, com inteligência, lançando um olhar sobre um quotidiano publico ou privado, e saber desconstrui-lo não é para qualquer um. Ora, é quando chegamos a essa esfera do “privado”, o quotidiano feito de vitórias, de sonhos, de problema, do coração que bate, das lágrimas que se calam, que se torna ainda mais difícil escrever. Mas quando esse exercício é feito com sabedoria, o resultado é fantástico. Manoel Carlos, o autor brasileiro mestre nessa abordagem, demonstrou-o de forma primorosa na primeira versão da novela ‘Páginas da Vida’ (2006). A adaptação portuguesa, a cargo de Alexandre Castro e Sandra Santos, 20 anos depois, segue (bem) os ensinamentos do original. A novela ganha um ritmo próprio e não se perde com o evoluir da ação à medida que o cansaço tenderia a apoderar-se da história. Mas tempo de ação - materializado na realização - e escrita têm sempre de caminhar de mãos dadas sem é que queremos bons resultados. 

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