Aos poucos, o caso dos ‘offshores’ vai caindo para baixo nas páginas electrónicas e nas primeiras páginas dos jornais, no meio de uma complicação técnica cada vez mais impenetrável. Apesar de ainda estar tudo por esclarecer.
Parece realmente estranho que as estatísticas relativas às transacções com ‘offshores’ tenham deixado de ser publicadas no Portal das Finanças precisamente na altura em que a Autoridade Tributária (AT) não terá fiscalizado 10 mil milhões de euros dessas transacções, sendo que 60 por cento dos ditos milhões tiveram origem no BES. Se a isto juntarmos as declarações trapalhonas e contraditórias do secretário de Estado responsável pelo processo, como se tivesse algo a esconder, deixa a imaginação a fervilhar...
Ora, é precisamente quando a coisa começa a aquecer que o fervor na indignação e na investigação começa, pelo contrário, a arrefecer. Uma pessoa repara então na tríade Finanças-‘offshores’-BES e começa a pensar que a história talvez tenha potencial para sujar não apenas Paulo Núncio e o PSD-CDS mas muita outra gente até bastante próxima da actual situação política. Onde chegamos ao ponto em que já não parece existir muito interesse em aprofundar demasiado. Ao mesmo tempo que ganha força a conveniente tese do ‘erro informático’, a qual mais ou menos safa toda a gente: a AT, o antigo Governo e o actual.
O caso já cumpriu o papel de afastar o ‘caso CGD’ das primeiras páginas. A partir deste instante, todos têm interesse (PSD, CDS, PS e até PCP e BE, agora que são amigos do PS) em não agitar excessivamente as águas.
Ou muito me engano ou temos aqui coisa para se ir desvanecendo no tempo, envolta em semi-explicações, semi-verdades, rumores e suspeitas que não se conseguem provar nem desmentir. É pena, porque assim o fisco ameaça tornar-se num verdadeiro ‘offshore’ informático, incapaz de fiscalizar o que lhe devem.
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