Jerusalém não tem solução. Como agradar a dois povos que reclamam a cidade como capital dos respectivos estados? Sim, em teoria, seria possível dividir Jerusalém entre os dois povos. Ou, como foi proposto várias vezes, manter a cidade sob jurisdição internacional. Mas sem a existência de dois estados, Jerusalém é um vespeiro que não vale a pena agitar.
O gesto de Trump parece- -me inútil e nocivo: não acrescenta nada e pode incendiar tudo. Mas é preciso lembrar que não foi ele quem matou o ‘processo de paz’.
O óbito ocorreu em 2001, quando Arafat recusou a proposta histórica de Ehud Barak para a constituição de dois estados (e com Jerusalém partilhada). Depois dessa data, foi sempre a descer: com o ódio anti-semita do Hamas; com nova rejeição árabe em 2008; e, convém lembrar, com a guerra civil intra-palestiniana.
Se Trump enterra o cadáver, é preciso não esquecer quem o matou primeiro.
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