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João Pereira Coutinho

João Pereira Coutinho

Parafuso a parafuso

31 de julho de 2026 às 00:30

O caso Luís Neves não se esgota nas explicações do próprio. Depende, sobretudo, do país em que desejamos viver. Se a ambição é sermos uma democracia liberal, robusta e moderna, o ministro já não seria ministro. As irregularidades admitidas, os indícios de ilegalidade e as decisões estapafúrdias - o atrelado, sempre o atrelado - bastariam para recomendar a sua saída. Se, pelo contrário, a ideia é conservar a bitola baixa e ir desmontando o regime, parafuso a parafuso, a conferência de imprensa não correu mal. Para o português manhoso, foi até um sucesso. Pessoalmente, preferia viver no primeiro país. Mas não cultivo ilusões: perante a passividade do primeiro-ministro (e do Pre- sidente da República), tudo indica que caminhamos para o segundo. As forças anti-sistema, aqui como em toda a parte, não costumam chegar de fora com archotes. Nascem quase sempre no coração do sistema.

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