Amigos liberais sonham há anos com um Portugal ‘liberal’. Explico: Estado mais pequeno (e melhor), valorização da iniciativa privada, separação entre o poder político e o mundo empresarial, etc., etc. Teoricamente, estou com eles. Mas sempre acrescento que a empreitada é anti-lusitana por definição: a história do país funde-se e confunde- -se com a história do Estado português. Não se muda em poucos anos o que demorou nove séculos a construir.
Além disso, existe uma ‘cultura política’ essencialmente iliberal: para os portugueses, a dependência do Estado não é um problema; é um consolo – e, mais, uma exigência.
Agora que o PSD vai a eleições, é natural que o partido vire ao ‘centro’, entendendo-se por ‘centro’ o velho pastelão social-democrata que, apesar de caduco e insustentável, continua a fazer sucesso entre nós. Uma pena? Será. Mas Portugal, goste-se ou desgoste-se, não dá para mais.
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O PS tem aqui uma oportunidade única para fazer prova de vida contra o governo.
A saída de Rita Rato da direcção do Museu do Aljube é a discussão errada. A discussão certa seria saber como foi que Rita Rato lá entrou.
Ainda teremos saudades da velha teocracia iraniana.
O estilo lúdico de Marcelo é o melhor de Marcelo: num país ‘engravatado todo o ano e a assoar-se na gravata por engano’, terei saudades deste jogral.
Desafiar Passos Coelho para as eleições internas do PSD é outra forma de desconversar: transforma um problema de governação num ajuste de contas partidário.
Sempre que o Tio Sam se mete em aventuras militares contra regimes tirânicos, a esquerda doméstica começa o seu carrossel de histeria e lamúria.