Entendo o dr. Costa: as boas notícias são óptima propaganda. Mas como atirar foguetes e, ao mesmo tempo, não acordar as esquerdas anestesiadas? Difícil.
Com a economia a crescer, as clientelas do Estado lá começaram a bater nos tachos.
E agora, com a Standard & Poor’s a garantir-nos financiamento mais barato, como podem o PCP e o Bloco pedir às suas seitas que continuem a aceitar uma dieta de sapos?
Aliás, se dúvidas houvesse, bastaria contemplar as primeiras páginas de ontem.
O ‘Público’, em letras garrafais, anunciava que o país saiu do lixo como se tivéssemos encontrado petróleo no Beato. Ao lado, no ‘DN’, o primeiro-ministro ocupava a frontaria para pedir rigor nas contas públicas.
Eis, em resumo, a batalha política do futuro: de um lado, as esquerdas esfomeadas com vontade de ir ao pote; do outro, um governo cativo da sua própria propaganda que também deseja conservar o pote intacto.
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Em Portugal, nada é mais difícil do que o humor. A realidade vem sempre coberta por uma mortalha absurda que derrota qualquer concorrência.
Foi preciso muito detergente, nas revisões posteriores, para limpar estas manchas.
Ninguém pedia que a Europa marchasse com Israel e os EUA para o Irão.
Basta uma temporada longe do poder para que a desafinação se instale.
Pedro Passos Coelho quer reformas – e empurra o governo para os braços do Chega.
O PS já percebeu que pode esticar a corda sem risco e ameaça ‘rupturas’ dramáticas se não lhe reservarem um lugar no Tribunal Constitucional.