O 1º de Dezembro tem tido uma história atribulada. Foi o primeiro feriado nacional civil e assim atravessou todos os regimes. A sua suspensão pelo governo anterior, com o acordo da Concertação Social, por imposição da troika, permitiu à "esquerda" reivindicá-lo pela primeira vez, não por apreciá-lo ou lhe estar associada, mas por oposição ao governo de Passos. Dado que o Estado Novo fez dele também dia da Mocidade Portuguesa e o comemorou com pompa e circunstância, a "esquerda" sempre o olhou com desconfiança. Por seu turno, a "direita", depois do 25 de Abril, ocupou o espaço das comemorações e fez dele uma bandeira contra a "esquerda" pró-soviética.
A principal "esquerda", com o seu défice de patriotismo, por ser internacionalista, e alguma "direita", com o seu excesso de patriotismo, por ser nacionalista, também a respeito do 1º de Dezembro se extremaram. E, assim, o 1º de Dezembro, apesar de ser o único dia festivo de uma data concreta da independência de Portugal – dado que o 10 de Junho é uma escolha arbitrária –, tornou-se factor de divisão num dos países mais antigos e mais homogéneos do Velho Mundo.
Aquela "esquerda" e aquela "direita" esquecem que o 1º de Dezembro e o 25 de Abril têm semelhanças fundamentais: ambos foram golpes de Estado, ambos foram muitíssimo pacíficos, ambos partiram de elites insatisfeitas com o regime vigente, ambos recolheram de imediato, nas próprias manhãs iniciais, claras e limpas, dum sábado em 1640, duma quarta- -feira em 1974, o apoio popular em Lisboa, e logo em todo o País.
As datas memoráveis são sempre aproveitadas ao sabor dos tempos e a tradição vai-se inventando e reinventando. Aconteceu de novo nas comemorações de quinta-feira nos Restauradores. Em vez de realmente celebrarem a restauração da independência, serviram para fazer baixa política de actualidade com um revanchismo despropositado e feio. E foi só isso que saiu nas notícias. Governo e "esquerda" apropriaram-se e comemoraram pela primeira vez o 1º de Dezembro, não por convicção, mas para se vingarem da suspensão do feriado. E o presidente da República, de quem se esperava um discurso consensual, introduziu ele mesmo a discórdia. Em vez de voar alto como os nossos falcões amestrados, agora Património Mundial da UNESCO, voou mais baixo do que uma galinha.
Ainda mais baixo voou a RTP. Segundo José Ribeiro e Castro, administradores e directores da RTP "revogaram a decisão de transmissão integral, em direto", das cerimónias, para em vez dela fazerem uma das suas trezentas celebrações anuais da própria RTP. O 1º de Dezembro afunda- -se em toda esta mesquinhez.
Governo nos media: socratinismo soft
Em apenas um ano, o governo PS conseguiu um feito notabilíssimo que as "comemorações oficiais" do aniversário por comentadores babados deixou de fora da prosa panegírica: a progressiva avançada das suas tenazes no espaço mediático. Em vez da brutalidade e ilegalidade do governo Sócrates, tem-na feito como quem não quer a coisa. É um socratinismo "soft". Estabilizou o controle do grupo ‘DN’-TSF-‘JN’, porta-vozes do governo e de Sócrates. Conseguiu, como que por milagre, uma direcção simpática no ‘Público’, na linha da anterior. Tem a TVI na mão. Na RTP, impôs ao director de Informação dois directores, António José Teixeira e André Macedo, profissionalmente desnecessários mas politicamente necessários. O presidente da RTP, Gonçalo Reis, deixou-se transformar num instrumento do governo, através do administrador Nuno Artur Silva, que manda nele e nos conteúdos, contra o que diz a lei. Falta ao governo manter o controle na ERC. Veremos em Janeiro.
RTP nomeia provedor do Governo
O dono da RTP, Nuno Artur Silva, indicou como provedor do espectador da RTP um antigo director, Jorge Wemans, que quase destruiu a RTP 2, ingeriu- -se intoleravelmente num programa da 2 em 2009, foi nomeado para cargos pelo PS, servindo os governos de Guterres, Sócrates — e agora o de Costa. Será um provedor do poder, não do espectador.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Um poder político interessado em mudar qualquer coisinha para que fique tudo na mesma.
Investigadores, jornalistas e políticos
Agora é tudo dele, mas a Judite discorda e ficou o mordomo arguido e as telas à guarda da Justiça.
Os media amam o homem que dizem odiar, Trump, porque ele é mestre em mantê-los efervescentes.
Estilo e conteúdo de Seguro e dos jornalistas.
Sem intermediação religiosa
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.