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Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Pedro Santana Lopes

Tempo perdido

Se na altura não se tivessem resguardado talvez hoje tudo fosse diferente.

Pedro Santana Lopes 16 de Junho de 2017 às 00:30
A propósito da candidatura nacional para acolher a sede da Agência Europeia do Medicamento (EMA) em Portugal, apareceram agora outra vez vozes da descentralização a reclamar que essa instituição não fique em Lisboa. Passe a comparação, aconteceu a mesma conversa por termos vencido o Festival da Eurovisão.

Obviamente que são assuntos bem diferentes, mas também não nos podemos esquecer que estamos em ano de eleições autárquicas. Por mim, acho muita graça ouvir defender medidas que já defendi e já pratiquei há 25 e há 15 anos. Em 1992, por exemplo, mudei a delegação do norte da Secretaria de Estado da Cultura do Porto para Vila Real, em Trás-os-Montes, criei as orquestras regionais do Norte e do Centro e centros de restauro de obras de arte fora de Lisboa, nomeadamente em Tibães, Braga, e em Viseu, porque até aí tinham de vir a Lisboa para serem restauradas.

Enquanto primeiro-ministro, em 2004, desloquei Secretarias de Estado para Braga, Aveiro, Faro, Golegã e defendi que o Estado deveria proceder a essa descentralização até ao nível de órgãos de soberania. Dei os exemplos do Tribunal Constitucional, que podia ter a sede em Coimbra, e do Supremo Tribunal Administrativo, que podia mudar para o Porto.

Não tem tudo de estar em Lisboa, nem pouco mais ou menos, ainda para mais num tempo em que já dispomos das fantásticas e tão eficazes tecnologias de comunicação que o progresso colocou ao nosso dispor. Só que os brincalhões do regime, que gostam de brincar com coisas sérias, que procuram diminuir medidas quando elas não são de sua responsabilidade, logo procuraram menorizar, dizendo que se tratava, pronto, de algo insólito ou bizarro.

Também quando estive como líder parlamentar em 2007/2008 utilizei um agendamento potestativo para provocar um debate sobre a desertificação do território e houve estupefação quase geral nas bancadas do Parlamento. Demorou alguns minutos até que vários grupos parlamentares se dispusessem a fazer intervenções sérias e construtivas sobre o tema, que lhes pareceu deslocado.

Quando será que o país, que os vários responsáveis do poder central e local, na maioria e na oposição, se disporão a sentar-se à mesa a trabalhar nessa componente tão importante da reforma do Estado, que possa mudar progressivamente a vida das populações nas diferentes parcelas do território continental? A questão está em que estes debates encarniçados normalmente são circunstanciais e esfumam-se com a passagem das eleições.

Com poucas exceções, se na altura, pelo menos há 15 anos, não se tivessem resguardado com o argumento de que eram medidas pontuais – não podia ser de outro modo, porque assumi funções de modo inesperado –, talvez hoje tudo fosse diferente.

World Press Cartoon    
Após um ano de interregno, o World Press Cartoon está de regresso e desta vez às Caldas da Rainha, com a 12ª edição a decorrer até dia 10 de agosto. Os temas principais dos trabalhos que podem ser vistos no Centro Cultural e de Congressos daquela cidade do distrito de Leiria estão centrados nos temas do terrorismo, da saída do Reino Unido da União Europeia e da migração, mas naturalmente também se podem ver caricaturas sobre o presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, ou Cristiano Ronaldo.

Esta exposição apresenta uma seleção de 270 dos melhores desenhos de humor publicados em jornais e revistas de todo o mundo. O vencedor do grande prémio deste ano foi o iraniano Alireza Pakdel com um cartoon sobre o drama dos refugiados e que pode ser visto nas Caldas.

Batalha campal   
O futebol está envolto numa verdadeira batalha campal. Nas televisões e nos jornais fazem-se acusações mútuas, que em nada dignificam a beleza e a simplicidade desse grande desporto que é o futebol. Independentemente da gravidade dos temas, que não vou analisar aqui, é lama atrás de lama.

Com vários dos principais jogadores a irem-se embora e com estes escândalos, não tarda muito, qualquer dia, ninguém liga a estas competições.

FIGURAS 
Lua Cheia
Aldino de Campos
Entre 20 candidatos foi eleito de forma quase unânime para a Comissão de Limites da Plataforma Continental da ONU. Boa notícia sobretudo quando se estuda o alargamento da Plataforma Continental portuguesa.

Quarto Crescente
Rafael Nadal
Fez história ao alcançar a décima vitória em Roland Garros. Depois de tantos o terem dado como acabado, é quase certo que o tenista espanhol regresse em breve ao número um do ranking mundial.

Quarto Minguante
François Hollande
Depois do seu mandato, ficou o caos para os socialistas em França. Podem perder quase 100 milhões de euros de financiamento e vão ter de trabalhar muito para conseguirem recuperar.

Lua Nova
Nigel Farage
Depois da saída do Reino Unido da União Europeia, o Brexit, deixou a liderança do seu partido e ficou no Parlamento Europeu. Agora o UKIP praticamente desapareceu.
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