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Tânia Laranjo

Tânia Laranjo

Jornalista

O tempo da justiça

28 de maio de 2026 às 00:30

O procurador Rui Batista defendeu a suspensão da pena de Ricardo Salgado devido ao seu estado clínico e, até aí, o princípio parece correto. Uma pessoa que já não compreende a realidade nem tem consciência da própria condição dificilmente retira qualquer sentido de uma pena de prisão. A justiça não deve ser confundida com vingança. O problema surgiu quando o procurador acrescentou que isso não significa a extinção da pena porque a justiça fará tudo para que Salgado recupere. A frase soa absurda. Não cabe à justiça curar ninguém, nem alimentar a ilusão de que uma doença grave desaparece para que o condenado volte a cumprir pena. O verdadeiro falhanço está noutro lado: a justiça demorou mais de uma década a decidir e chegou tarde demais. Quando o tempo destrói a utilidade da pena, o problema já não é da medicina, é da própria justiça. 

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Não cabe à justiça curar ninguém, nem alimentar a ilusão de que uma doença grave desaparece para que o condenado volte a cumprir pena.

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