D. Maria, 80 e tal anos, é especialista em programas de governo. Viúva do Sr. Manuel, geriu por décadas as finanças familiares, pugnando pela ordem e bom funcionamento da casa. Criou quatro filhos, dois deles acabaram a universidade. O Sr. Manuel tratava das suas fazendas, com vinha e pomar, mais umas hortas. Tinha fregueses certos, que revendiam o vinho, as frutas e os legumes nos mercados lisboetas. D. Maria foi uma genuína dona-de-casa. O termo "dona-de-casa" surgiu com a divisão social do trabalho. A partir dos anos 50, reduziu o papel da mulher ao lar, aproveitada pelo regime conservador salazarista. Como profissão, surgiu depois o termo "doméstica", ainda com forte conotação cultural machista. D. Maria, saloia esperta e de bom senso, concedia que o marido se achasse o chefe-de-família, outro termo que consignava o papel preponderante do homem. Quanto ao esforço de trabalho, D. Maria repetia amiúde para o marido uma verdade pouco valorizada. "Andei mais hoje aqui em casa e no quintal do que tu o dia todo lá pelos pomares!" Hoje, recebe menos de 300 euros de pensão de velhice.
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