A menina da caixa faz a pergunta da ordem: "Precisa de saco?" A mulher, na casa dos 60 anos, puxa de um saco que traz debaixo do braço. "Não, obrigada menina!" E começa a dispor as compras no tapete rolante da "grande superfície" do centro de Lisboa. Meia dúzia de batatas, outras tantas cebolas, duas cabeças de alho, uma embalagem de bifes de frango, duas latas de salchichas, uma de atum em conserva, três maçãs, duas laranjas, embalagens de lixívia e detergente para a loiça e um frasco de café moído. Contas feitas, a informação automática da menina. "21 euros e 12 cêntimos!" A mulher hesita, uma nota de 20 euros meio enrolada na mão. O silêncio é confrangedor. Na fila, outros clientes fingem-se distraídos, por respeito ou simples indiferença. A mulher olha, indecisa, para o montinho das compras. A meia voz, justifica-se. "Esqueci-me da carteira em casa da senhora onde trabalho. É feriado mas pediu-me para vir hoje fazer a manhã!" A menina da caixa à espera, incomodada. É feriado do Primeiro de Maio. Todos percebem a desculpa airosa de quem vive com os tostões contados. Os segundos parecem horas neste compasso de espera.
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