Francisco Ferreira
Presidente da Associação ZEROA conferência das Nações Unidas sobre alterações climáticas que agora se inicia em Belém, no Brasil, só será um sucesso se a mudança chegar à vida das pessoas já nesta década. A ciência é inequívoca: a janela para limitar o aquecimento a 1,5 graus em relação à era pré-industrial está a fechar-se rapidamente, e cada décima de grau conta. O que já sentimos — ondas de calor mais frequentes, secas prolongadas, cheias súbitas, perda de biodiversidade e pressão sobre a saúde pública — não é um cenário, é a linha de base a partir da qual pioramos se nada fizermos. Atrasar medidas tem um custo económico e humano superior ao de agir cedo: infraestruturas danificadas, produtividade perdida, sistemas alimentares e energéticos mais frágeis. Agir agora custa menos do que remediar depois. Precisam-se de metas novas até 2035. Por isso, é preciso encarar o clima com metas claras, avaliação contínua e correção de rumo.
O dinheiro tem de acompanhar a ambição. É essencial uma meta sólida de financiamento para apoiar países vulneráveis, com regras transparentes sobre para onde vai cada euro e que impactos concretos produz. Sem contas claras, perde-se a confiança.
Portugal pode ajudar a construir pontes entre a presidência brasileira e a União Europeia, mas a credibilidade começa em casa: menos emissões no transporte, maior eficiência nos edifícios, eletrificação da indústria e fim dos apoios aos combustíveis fósseis. Em paralelo, proteção costeira e soluções baseadas na natureza para reduzir riscos de cheias e secas.
A conferência será julgada por resultados: menores emissões, mais energia renovável, comunidades mais seguras. Chegou a hora de transformar promessas em provas.
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