page view

Francisco Ferreira

Presidente da Associação ZERO

Conferência do clima: prioridade à ação

08 de novembro de 2025 às 20:00

A conferência das Nações Unidas sobre alterações climáticas que agora se inicia em Belém, no Brasil, só será um sucesso se a mudança chegar à vida das pessoas já nesta década. A ciência é inequívoca: a janela para limitar o aquecimento a 1,5 graus em relação à era pré-industrial está a fechar-se rapidamente, e cada décima de grau conta. O que já sentimos — ondas de calor mais frequentes, secas prolongadas, cheias súbitas, perda de biodiversidade e pressão sobre a saúde pública — não é um cenário, é a linha de base a partir da qual pioramos se nada fizermos. Atrasar medidas tem um custo económico e humano superior ao de agir cedo: infraestruturas danificadas, produtividade perdida, sistemas alimentares e energéticos mais frágeis. Agir agora custa menos do que remediar depois. Precisam-se de metas novas até 2035. Por isso, é preciso encarar o clima com metas claras, avaliação contínua e correção de rumo.

O dinheiro tem de acompanhar a ambição. É essencial uma meta sólida de financiamento para apoiar países vulneráveis, com regras transparentes sobre para onde vai cada euro e que impactos concretos produz. Sem contas claras, perde-se a confiança.

Portugal pode ajudar a construir pontes entre a presidência brasileira e a União Europeia, mas a credibilidade começa em casa: menos emissões no transporte, maior eficiência nos edifícios, eletrificação da indústria e fim dos apoios aos combustíveis fósseis. Em paralelo, proteção costeira e soluções baseadas na natureza para reduzir riscos de cheias e secas.

A conferência será julgada por resultados: menores emissões, mais energia renovável, comunidades mais seguras. Chegou a hora de transformar promessas em provas.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Logo CM

Newsletter - Bom Dia

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Dia da Mãe

Este mundo em que vivemos, com uma história de mais de vinte séculos, precisa de se encontrar.

Leão

Robert Francis Prevost não é Bergolio, nem poderia.

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8