Aconteceu na AR, quando Passos Coelho foi interpelado sobre a Madeira e o plano a que a região vai ter de se submeter para corrigir os desequilíbrios financeiros. Nesta surpreendente disponibilidade para assumir erros e lidar com os enganos exibindo comportamentos que qualquer cidadão comum teria poderá residir parte da simpatia que o líder do PSD parece estar a despertar junto da população.
A esmagadora subida de votação que a mais recente sondagem lhe atribui e o nível de popularidade que recolhe são indícios importantes não só quanto à adesão que nesta altura suscita como quanto à profunda mudança operada na percepção dos portugueses relativamente ao anterior governo e ao actual. Sendo de esperar uma fortíssima rejeição popular perante o quadro recessivo em que o País mergulhou, sucede precisamente o contrário. Sócrates, com um consulado cheio de promessas não concretizáveis e certezas impossíveis, é também responsável por essa alteração qualitativa do eleitorado.
Ao demagogo e manipulador, o País diz agora preferir alguém normal, que ande com os pés no chão, que fale verdade e não transforme a realidade em pílula dourada. Esta confiança canalizada para Passos Coelho é uma derrota adicional para o ex-líder socialista e um fardo muito pesado para o seu sucessor António José Seguro. As setas que dirige ao primeiro-ministro surgem com a textura do papel que se desfaz no embate com o vento.
A fragilidade da estratégia ficou evidenciada na insistência patética em tentar explorar divergências entre Passos e Portas, a propósito da chamada "diplomacia económica". Também debilitado ficou quando o chefe da coligação, desarmante, lhe respondeu estar aberto a aceitar as sugestões da Oposição, desde que exequíveis, perante a crise que Portugal enfrenta. Sem crispação, nem as tensões da época anterior. Seguro debate--se entre a herança socrática e o presente que o amarra à troika, sob a pressão de um partido que quer voltar rapidamente ao Poder e que, oportunisticamente, afia as facas.
Enquanto os portugueses virem Passos Coelho como o preceptor sério e honesto, tão igual a eles que até vive nos subúrbios e é capaz de arrumar a casa e cuidar dos filhos, a travessia do deserto será longa para o PS, apesar da austeridade que esmaga as carteiras, da economia em recessão, da crónica incapacidade de cortar na despesa do Estado e de um plano de reforma coerente para o País. Seguro arrisca-se, num quadro destes, a ser uma espécie de estafeta que leva o ceptro ao senhor que se segue. Precisa mesmo da poção mágica de Asterix…
SOLTAS
PORTUGAL TEM PRESSA
A troca do TGV por duas linhas de bitola europeia é um ponto a favor de Álvaro Santos Pereira. Mostra, finalmente, resultados concretos. Renasce a esperança num ministro recrutado no estrangeiro e importantíssimo para o esforço de recuperação económica. Oxalá não perca o balanço. Nem tempo.
PÓLVORA SECA
Volta a surgir o nome de Marcelo Rebelo de Sousa como possível candidato à sucessão de Cavaco Silva. Não sei quem o lançou agora: se o próprio ou alguém por ele. A avaliar pelo passado, poderemos estar perante mais um disparo em falso. Um mero caso de apalpação de terreno. Nada de muito novo.
POBRE JUSTIÇA
Isaltino de Morais entrou na cadeia, mas saiu logo a seguir. É caso para dizer que só foi conhecer as instalações... Inaceitáveis as contradições dos juízes. É por episódios como este que a Justiça anda pelas ruas da amargura. O Presidente da Câmara de Oeiras ganhou argumentos para se armar em vítima.
NOTAS (Escala de 0 a 20)
14 - DOMINGOS PACIÊNCIA
O Sporting parece ter encontrado um caminho. O treinador reconstruiu a equipa, que dá sinais de boa capacidade competitiva. Cá dentro e lá fora.
12 - PAULO PORTAS
Mesmo partilhando a tutela com Passos Coelho, vê a diplomacia económica ser integrada na rede do seu Ministério. É um reforço do seu poder.
6 - JOE BERARDO
Lança críticas destemperadas à mão que lhe sustenta o museu, ou seja, o CCB. "Pobre" e mal-agradecido. Bem o Governo ao encostá-lo à parede.
4 - DUARTE LIMA
Fortemente suspeito no caso Rosalina Ribeiro. A Polícia brasileira dá sinais de se preparar para o acusar, perante indícios que considera claros.
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