É estranho – e comovente – ver como a agonia de um homem pode mobilizar tanta gente no Mundo. Desde que as televisões interromperam as suas emissões, na passada quinta-feira, para anunciarem a irreversível deterioração do estado de saúde de João Paulo II, que não é possível falar de outra coisa.
Ao rever as últimas imagens públicas do Papa – um homem frágil indisfarçando as suas dificuldades físicas, a voz que não se soltava, os gestos presos, o corpo que teve de ser amparado –, recordei-me de Estaline que, um dia, no alto da arrogância de quem se julgava dono de tudo, pretendeu reduzir o poder da Igreja a quase nada, afirmando que o Vaticano não tinha tanques de guerra, não tinha soldados, não tinha exército. Não valia nada, não metia medo. Pois não.
Curiosamente, convém nunca esquecer, foi o poder deste minúsculo Estado sem exército que contribuiu decisivamente para derrubar a ‘cortina de ferro’, o Muro de Berlim e a União Soviética, pondo um ponto final na temível Guerra-Fria que mantinha o Mundo em suspenso desde o final da Segunda Guerra Mundial.
É estranho e comovente ver como João Paulo II transformou, também, os últimos anos da sua vida num exemplo inquestionável em defesa da vida. Ao mostrar o seu próprio sofrimento, João Paulo II deu um ensinamento valioso de como a vida é sagrada, desde a concepção até aos últimos instantes. Num tempo de consumismo rápido, em que tudo – até os valores – parecem ter prazos de validade, é sempre reconfortante ver como alguém nos ajuda a redescobrir o essencial por entre o ruído da civilização moderna.
As televisões, em Portugal, voltaram a mostrar que estão em grande nível. Todos os canais se mobilizaram, a um nível quase sem precedentes, para acompanharem as últimas horas de Karol Josef Wojtyla, enviando equipas inteiras para Roma, alterando profundamente o ritmo normal das suas emissões. Compreende-se, claramente, esta posição editorial.
A morte de João Paulo II não representa apenas o falecimento de um homem bom, que soube estender laços de entendimento com as outras grandes religiões, que defendeu sempre a paz (é impossível esquecer todos os seus esforços para evitar a guerra do Iraque, por exemplo), que nunca cedeu as suas convicções no plano moral.
A morte de João Paulo II mostra como as questões da fé continuam a ter um lugar essencial numa sociedade que, aparentemente, parecia ter já decretado o fim das religiões…
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Por Carlos Rodrigues
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