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Francisco J. Gonçalves

Francisco J. Gonçalves

Jornalista de Mundo

O riso de Deus

19 de setembro de 2012 às 01:00

Em todo caso, nenhuma dessas três nobres tradições espirituais é para brincadeiras. O que suscita uma pergunta crucial: como pôde um mesmo Deus criar tantos modelos de sisudez com maneiras tão distintas de chatear o próximo?

Chatear é o termo, pois o aborrecimento é traço fundamental das religiões. Tão sérias são que excluem ou proíbem alegria e riso. E com boas razões, pois o humor é o primeiro passo para a emancipação do espírito. Rir é exercitar o sentido crítico e este coloca os dogmas em xeque.

Um exemplo: Arca de Noé. Há falhas no mito. Veja-se o caso do bicho da madeira. Terá Noé embarcado o perigoso roedor de arcas ou este viajou clandestino?

Exemplo dois: Israel. Como é que os direitos de propriedade dos judeus, expirados há milhares de anos, permitiram expropriações no século XX?

Exemplo três: Maomé. Bom, neste caso o legítimo desejo de sobrevivência sobrepõe-se ao sentido crítico. E o riso fica adiado ‘sine die’.

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