No país do politicamente correto, que diaboliza o atual Governo mas defende que se esqueça o desgraçado passado recente, quando não o glorifica, o Chefe do Estado é culpado de afirmar que a situação nacional só irá piorar se somar às outras crises uma crise política e a austeridade é inevitável sejam quais forem os resultados de eleições.
Imaginemos que o sonho de Mário Soares – e do país politicamente correto – se concretizava e que o Governo tinha caído ontem. Imaginemos que uma declaração muito dura de Paulo Portas contra Vítor Gaspar quebrava a corda.
Passos Coelho respondia à letra e seguia-se o teatro habitual das ruturas. Cavaco chamava os partidos com representação parlamentar antes de se ver obrigado a marcar eleições.
Imaginemos então que as legislativas antecipadas eram a única saída, com o circo das campanhas, os ratings da dívida pública portuguesa a descerem, Portugal outra vez abaixo de lixo.
O líder do PS, António José Seguro, ganhava nas urnas, mas longe da maioria absoluta. Necessitado de acordos, formava a custo um governo do PS, talvez com o CDS no Executivo – ou só a apoiá-lo no Parlamento. Ou ainda, quem sabe, com um PSD com novo líder, Rui Rio a vir do Porto para a São Caetano, "salvador" laranja.
Em qualquer dos casos, assistíamos à ‘italianização’ da política nacional, Portugal a ser cada vez mais a Grécia.
Alguém acredita que um governo de Seguro iria mudar as atuais políticas de austeridade? Poderia ser muito diferente a estratégia orçamental, com a parafernália anexa de impostos e taxas, sangue, suor e cortes? Lembram-se de Hollande?
Cavaco Silva limitou-se a dizer a verdade dos factos na sua intervenção do 25 de Abril. Eleições antecipadas ou qualquer outra crise política não vão mudar coisíssima nenhuma. A não ser piorar a situação de Portugal e dos portugueses, com a inevitabilidade de um segundo resgate e a entrada definitiva na espiral de recessão.
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