O futebol e os clubes estão prisioneiros dos empresários e dos ‘Abramovichs’ que compram o que querem e quando querem. Já não se pode conceber este espectáculo maravilhoso sem ouvir falar de transferências milionárias de jogadores e de treinadores e de cláusulas de rescisão com verbas esmagadoras. O mundo do futebol perdeu o sentido da dignidade. Ficou escravo destas grandes engenharias financeiras que muitas vezes são a capa para a lavagem de dinheiro e para a fuga aos impostos. E os Estados também são prisioneiros desta triste realidade e são vítimas pelos prejuízos que gera. A crise chegou a todo o lado, menos ao futebol.
O facto de ser uma actividade que gera à sua volta a circulação de grandes capitais e de fazer movimentar outros sectores importantes da sociedade não significa que se deva aplicar aqui a famosa ‘lei da selva’ ou a teoria do ‘salve-se quem poder’. Não pode valer tudo. É preciso que os governos percam o medo e introduzam regras de moralização e alguma ética nos negócios à volta do futebol. A componente de utilidade pública do desporto obriga a essa intervenção e à imposição de limites nos negócios. E não me venham com a ideia de que os mercados mandam e fazem nascer as regras adequadas. Foi por causa de os mercados funcionarem em roda livre que a terra financeira tremeu e nos lançou para esta grave crise.
Hoje o mundo do futebol é o mundo dos empresários e dos negócios. O interesse do clube, a sua estratégia desportiva e as necessidades reais do seu plantel contam pouco. O que é preciso é comprar muitos jogadores e pagar poucos impostos, porque o ganho está na quantidade e não na qualidade. O que é preciso é ter muito dinheiro e comprar, de forma desigual, os jogadores que se destacam em cada época desportiva.
As regras entre os clubes são brutalmente desiguais, não há disciplina nem contemplações. Ninguém ousa denunciar ou quer discutir o que se está a passar. O silêncio é estranho e ensurdecedor. Estados que estão em pré-bancarrota, que não conseguem pagar as suas dívidas, que pedem sacrifícios de-sumanos às pessoas e que lhes cortam nos salários. Empresas de rating que só deviam avaliar o desempenho das empresas e dos mercados e não a actividade boa ou má de cada Estado, que classificam a sua dívida e o seu prestígio como lixo. Tudo existee é permitido.
Só no futebol é que não há lixo tóxico nos capitais, nas transferências e na transparência. Tudo é limpo e puro. O dinheiro aparece de todos os cantos, sem que ninguém peça qualquer justificação. Na NBA (campeonato de basquetebol dos EUA) houve necessidade de moralizar e de impor limites de verbas e de vencimentos. Para quando no futebol?
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Por Carlos Rodrigues
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