Joana Amaral Dias
Professora universitáriaNo último dia de Verão, o líder do CDS-PP deslocou-se ao ‘seu’ distrito: Aveiro. No final do almoço, Portas – apresentado como o "ás de trunfo" – subiu ao palanque. Sem gravata, mas com botão de punho, debitou o prato habitual: mais segurança, menos rendimento mínimo. Quando agitava a mão direita, batia com o pé esquerdo no chão. Depois, trocava a mão e balançava o outro pé. Tudo coreografado. Mas nem o disfarce mais perfeito anula quem está atrás da máscara.
Portas fala. Bastante e bem. Diz que não vai falar tanto como o costume. Demora-se. A seguir, dá o discurso por concluído, despede-se e volta ao púlpito. Dá a faladura por terminada. Esperem. Faltava um recado. Três vezes regressa ao microfone. Enfim, Portas é conhecido pelas suas sequelas. Em 2005, garantia que Deus lhe tinha feito ver que terminara o ciclo em que presidiu ao seu partido. Em 2007, já era líder outra vez. Mas há mais metáfora feita gesto. Quando, finalmente, se cala, começa uma banda. E Portas não resiste. Pega numa pandeireta e, atrás do grupo, tenta marcar o ritmo. O maestro ainda tenta explicar como fazer sem perturbar o conjunto. Qual quê. O líder do PP toca e dança, transpira e trauteia. Por fim, o regente dá-se por vencido e convida o músico espontâneo a ocupar o seu lugar. Desafinar toda uma orquestra pode ser o caminho mais curto para chegar a maestro e esse é um dos motes de Paulo Portas. Ele aniquilou todos os quadros do CDS: opositores e aliados. O que sobrou voou para Bruxelas. O maestro ficou como sabe e gosta: à frente da banda. Isolado.
Numa feira agrícola, uma vendedora diz: "Ele devia vir enquanto tenho alguma coisa para vender." É inevitável que o candidato chegue uns minutos depois. Tal como uma noiva. Portas não é excepção. O problema é que se arrisca a ficar sozinho no altar. Já no que toca a trocar de casaca, Portas não tem pai. O líder do PP foi o maior crítico do regime cavaquista e apoiou Cavaco nas Presidenciais. Jurou que nunca seria ministro do Mar e assumiu a pasta. Fundou a Amostra na Universidade Moderna e indigna-se com as sondagens. Foi eurocéptico, mas deu a mão aos orçamentos Guterres e ficou euro-xanax. Quando Portas aparece na dita feira, traz outra camisa, claro. O excesso de pandeireta justificava a troca. Afinal, Portas saíra dum ambiente controlado com militantes, em que jogava em casa com o fato do "político contra o crime", para uma atmosfera onde, apesar de se tratar do famoso ‘Paulinho das feiras’, tudo pode acontecer. Mas pouco sucedeu. Era onde meia dúzia de pessoas pareciam dúzia e meia. E onde, provavelmente, Paulo Portas podia fingir para si mesmo que não está completamente sozinho.
DETALHES DO DIA
CAMINHO COM PENDÕES DO PND
De Arouca a Rossas, segue-se devagar, que a estrada é matreira. Repara-se na paisagem. Portas também terá descoberto um caminho ladeado de pendões do Partido da Nova Democracia (PND), aquele do seu velho amigo Manuel Monteiro. Ou não.
O DISCURSO DA DISCIPLINA
O momento mais aplaudido do seu discurso foi o que mencionou o ataque de Sócrates aos professores. Portas reclamou a sua querida e costumeira autoridade, exortando os docentes a exercê-la. E, claro, pediu mais disciplina, para logo concluir: "Foi com exigência e não com facilitismos que eu cheguei até aqui." Que lindo exemplo.
PAULO PORTAS BAILARINO
No final do almoço, o líder do PP agita as bandeiras com os comensais. Um braço empunha o pendão onde se cravam os olhos. A outra mão na anca. É Portas bailarino. Imediatamente a seguir, já é Portas celebridade e autografa as bandeiras.
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