Aníbal Cavaco Silva
Antigo Presidente da RepúblicaDecidi revelar o sentido do meu voto nas eleições de 10 de Março por quatro razões.
Primeiro, porque tenho filhos e netos e preocupo-me muito com o futuro das gerações mais novas.
Em segundo lugar, porque publiquei um livro sobre quais devem ser as qualidades e o comportamento de um Primeiro-Ministro para que o Governo tenha sucesso. O novo líder do Partido Socialista (PS) não as cumpre minimamente.
Em terceiro lugar, porque considero ser meu dever cívico sair da comodidade de retirado da vida política ativa e explicar sinteticamente aos Portugueses a importância para o futuro do país de uma mudança política.
Em quarto lugar, porque tenho informação suficiente para perceber as mentiras com que o PS tem procurado iludir e enganar os eleitores.
Pelo que conheço dos 8 anos de governo socialista e da atuação e pensamento do novo líder do partido, a nomeação de um novo governo do PS terá as seguintes consequências:
- Portugal continuará a ser um país de salários baixos e de pensões de reforma que não permitem uma vida digna;
- Os jovens de espírito inovador continuarão a fugir para o estrangeiro para conseguirem melhorar as suas condições de vida;
- Os utentes do Serviço Nacional de Saúde continuarão a ter de suportar longas listas de espera para uma consulta ou uma cirurgia, pondo em causa a sua própria vida;
- A crise da habitação continuará a atingir muitos milhares de famílias;
- A crise da escola pública continuará a travar a oportunidade de subir na vida de muitas crianças e jovens;
- O risco de pobreza ou exclusão social continuará a atingir uma percentagem elevada da população.
Problemas sociais como estes só poderão ser resolvidos com uma mudança política.
O país precisa de uma nova política económica. Uma política geradora de confiança que favoreça a expansão do investimento produtivo e inovador nos setores abertos à concorrência externa e o aumento da produtividade e que estimule as exportações de elevado valor acrescentado. Uma política que combata o desperdício dos dinheiros públicos, de que os milhões da TAP são apenas um exemplo, e que promova um crescimento sustentável da economia portuguesa não inferior a 3% ao ano.
É uma ilusão e um erro pensar que é possível resolver os graves problemas sociais que Portugal enfrenta sem reformas estruturais, como a realidade tem vindo a confirmar.
O PS desperdiçou muitos milhões de apoios da União Europeia e desbaratou uma maioria absoluta em menos de dois anos. Agora, no caminho para as eleições, multiplica-se em anúncios de benesses e promessas. A máquina de propaganda do PS é capaz de tudo para enganar os Portugueses.
A coligação Aliança Democrática (AD) é a única alternativa ao governo socialista para todos os eleitores que ambicionam um futuro melhor para Portugal.
O programa da AD foi preparado por uma equipa de excelente qualidade. Se aplicado com determinação e coragem, cria condições para o aumento sustentável do poder de compra dos salários e das pensões e para a resolução dos problemas sociais do país.
Só a AD pode garantir a estabilidade política. O seu líder, Luís Montenegro, está muito mais próximo do que devem ser as qualidades e o comportamento de um Primeiro-Ministro.
O voto em partidos de protesto extremistas apenas contribui para a nomeação do líder do PS para Primeiro-Ministro, com todas as consequências negativas para o país e para as condições de vida dos cidadãos.
Qualquer voto que não seja na ALIANÇA DEMOCRÁTICA é desperdiçar uma oportunidade de mudança.
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