As imagens que nos chegam de Gaza não deixam ninguém indiferente, independentemente das opiniões de cada um sobre o conflito. Milhares de pessoas caminham por estradas de pó, com pequenas mochilas às costas, outros carregam nos ombros os pertences de uma vida, em improvisados sacos de pano. De quando em vez, lá se vê uma carripana apinhada de gente, ou um cavalo a puxar uma velha carroça, tão cheia como a carripana. Regressam a casa, mesmo sabendo que não vão encontrar casa nenhuma. Não creio que haja naquela multidão alguém que não tenha perdido o pai, ou a mãe, ou os irmãos, um tio, um amigo, um vizinho, mas não há sinais de tristeza, é como se aceitassem o destino como ele é, por mais cruel que seja.
Do outro lado do arame farpado, também se celebra o fim dos tiros e das bombas, que os soldados de Israel também têm família, amigos e vizinhos. Dois anos de guerra é muito tempo. Os reféns vão regressar finalmente a casa, uns para o eterno descanso, outros para refazerem a vida – se é que é possível refazer a vida, depois de tanto tempo privados do mundo, privados de tudo, nas mãos de gente bárbara e sanguinária.
Não sei se Corina mereceu o Nobel da Paz, há sempre alguma subjetividade na atribuição destes prémios. Mas, vendo o que se passa por estes dias no Médio Oriente, também não estaria mal entregue a quem tornou possível tudo aquilo. Goste-se ou não da figura, levou a paz ao inferno. Chama-se Donald Trump.
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