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Eduardo Dâmaso

Eduardo Dâmaso

Jornalista

Os riscos de uma mudança

24 de fevereiro de 2026 às 00:31

A transição de Luís Neves da PJ para o Governo é um facto de grande magnitude. Trata-se de um inusitado reforço para um Governo que já conheceu melhores dias. Foi um recrutamento com a participação ativa de Marcelo, que defendeu esta possibilidade em público, no último aniversário da PJ. Também coloca questões sérias sobre a independência da PJ, mergulhada numa sucessão complexa. O trânsito direto desta polícia para um cargo político exige, obviamente, um escrutínio acrescido. Em Espanha, onde é habitual encontrar polícias em lugares políticos no Ministério do Interior, ao nível de secretários de Estado e direções-gerais, o tema é recorrente em estudos de sociologia, administração pública e segurança. E é discutido no contexto dos riscos de politização da polícia, um dos problemas desta mudança. Facto que já foi claro nas perguntas a que Luís Neves teve de responder após a posse. Os fatores de risco são, pelo menos, iguais aos elementos positivos que recomendam o ex-diretor da PJ para o cargo. E essa é a dupla realidade com que o novo MAI terá de lidar. A discussão permanente sobre a sua legitimidade política, no plano de uma dúvida metódica, e a exigência de mostrar trabalho, coisa que as limitações orçamentais e alguns resquícios corporativos instalados no setor vão dificultar. A sua vida não vai ser fácil. Fora e dentro do Governo.

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