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Eduardo Dâmaso

Eduardo Dâmaso

Jornalista

A machosfera no futebol

21 de fevereiro de 2026 às 00:31

A violência no futebol, ou à volta dele, é uma das manifestações mais ignóbeis de uma machosfera que tem vindo a crescer como um tumor maligno. É a mesma que mata mulheres, sem grande sobressalto cívico. É a mesma que, tantas vezes, mata na estrada, consequência do uso do carro como uma verdadeira arma. Aqui, também quase não existe o sobressalto cívico, com a exceção de algumas associações de famílias de vítimas. No futebol, um território em que, segundo alguns sociólogos, pelo menos desde Desmond Morris, se aceita a ideia de tribalização como forma de controlo das tensões sociais, todos os limites estão a ser ultrapassados. Aceita-se a institucionalização da batota, o ganhar a qualquer custo, a lei do mais forte, o incitamento ao ódio e ao racismo nas redes sociais e nos estádios, o apelo à violência. O tempo da prevenção está a ser esmagado por uma realidade caótica. A rixa entre grupos do Benfica e do Sporting, ou a lamentável atitude do Benfica no caso de Vinícius Jr. e na limitação ao direito de informar em relação à CMTV, apelam exclusivamente à repressão. A mão do Estado tem de ser dura e prever tudo, incluindo a prisão, no caso da violência. Não pode continuar a pactuar com gente que, não só não se demarca ativamente da violência, como gere os clubes como se fossem coutadas pessoais. Numa indústria com a importância económica e social do futebol, há muito que teriam levado um cartão vermelho.

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