page view
Armando Esteves Pereira

Armando Esteves Pereira

Diretor-Geral Editorial Adjunto

Eufemismo

03 de fevereiro de 2026 às 00:31

Ao quinto dia após a calamidade que se abateu de uma forma mais intensa na região centro o governo anunciou um conjunto de medidas para mitigar os prejuízos das pessoas e de empresas. Mas no discurso de apresentação desse pacote o primeiro-ministro disse uma frase,  que no mínimo é infeliz,  ao expressar as condolências às famílias das pessoas que morreram: " aqueles que não evitaram a trágica consequência de perderem a vida". Até para criar eufemismos é preciso alguma arte e dá a impressão de que quem escreve os discursos do primeiro-ministro, além de não ter arte, também não conhece bem o significado das palavras e a sua importância. Algumas das pessoas que morreram podem ter sido imprudentes ao tentar proteger os seus bens, mas a Proteção Civil nos avisos que fez deveria também enfatizar para as pessoas se abrigarem e não se aventurarem. Por outro lado os que morreram já no fim de semana quando tentavam tapar o telhado, ou quem perdeu a vida por causa do gerador, também têm culpa na sua morte?   O respeito pelos mortos é um dos princípios elementares de qualquer civilização. 

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Logo CM

Newsletter - Exclusivos

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Eufemismo

A frase do primeiro-ministro sobre os que perderam a vida é infeliz.

Apagão do Estado

A forma como as populações ficaram entregues à sua sorte, mostra o estado frágil do Estado que temos.

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8