Ao quinto dia após a calamidade que se abateu de uma forma mais intensa na região centro o governo anunciou um conjunto de medidas para mitigar os prejuízos das pessoas e de empresas. Mas no discurso de apresentação desse pacote o primeiro-ministro disse uma frase, que no mínimo é infeliz, ao expressar as condolências às famílias das pessoas que morreram: " aqueles que não evitaram a trágica consequência de perderem a vida". Até para criar eufemismos é preciso alguma arte e dá a impressão de que quem escreve os discursos do primeiro-ministro, além de não ter arte, também não conhece bem o significado das palavras e a sua importância. Algumas das pessoas que morreram podem ter sido imprudentes ao tentar proteger os seus bens, mas a Proteção Civil nos avisos que fez deveria também enfatizar para as pessoas se abrigarem e não se aventurarem. Por outro lado os que morreram já no fim de semana quando tentavam tapar o telhado, ou quem perdeu a vida por causa do gerador, também têm culpa na sua morte? O respeito pelos mortos é um dos princípios elementares de qualquer civilização.
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A frase do primeiro-ministro sobre os que perderam a vida é infeliz.
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