O otimismo do secretário da Defesa norte-americano, Pete Hegseth, sobre uma derrota total do Irão está longe de colar com a realidade. É evidente que Israel e os EUA vão obter o total controlo do espaço aéreo do Irão. E que a Marinha iraniana afundou.
Mas quando o poder de fogo da ditadura teológica se mantém, a partir de um arsenal disperso por bases subterrâneas em todo o país, isso antecipa dois cenários que ninguém quer. O primeiro é o de uma guerra longa, exigindo um trabalho de paciência na localização e destruição das bases. O segundo é, no caso de uma invasão terrestre, o de um terrível cenário de guerrilha, como no Afeganistão. Nenhum deles é bom e, sobretudo, potencia uma pressão insustentável sobre a economia mundial.
Até agora, o Irão tem conseguido impor a sua estratégia de maximizar os custos económicos da guerra. Está a parar o trânsito do petróleo, gás natural e mercadorias por Ormuz. Paralisou o turismo nos países do Golfo, deu um golpe na aviação mundial.
O mundo prepara-se para a inflação, taxas de juro a escalar, o amortecimento do comércio mundial. O ambiente que cresce todos os dias, se a guerra não acabar depressa, é o de uma espiral infernal. Não é o de amanhãs que cantam com a nova ordem mundial, que vai sair muito cara. É bom que todos tenhamos consciência disso.
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O Irão está a conseguir maximizar os custos económicos da guerra.
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