O Conselho Superior do Ministério Público abriu um inquérito à investigação ao juiz Ivo Rosa e isso é uma decisão acertada. Os factos têm quase cinco anos, os protagonistas eram outros, o tempo histórico e político também. Amadeu Guerra não tem nada a ver com o caso, nem com a estrutura desse Ministério Público de há cinco anos, então liderado por Lucília Gago. Os diretores atuais do DCIAP, que não teve intervenção, que se saiba, na investigação ao juiz, e da Procuradoria-Regional de Lisboa eram outros. Já agora, recorde-se, esses foram os tempos em que uma procuradora do DIAP de Lisboa mandou investigar, seguir e vasculhar as contas bancárias de dois jornalistas, sem que isso incomode as almas de alguns dos que agora rasgam vestes.
Independentemente dessas mudanças de pessoas, o Conselho faz agora o que lhe é exigível pela lei e pela decência. Assegurar alguma objetividade no debate e desmontar alguns oportunismos em curso, que querem canonizar Ivo Rosa para outros fins, é essencial. Talvez seja, também, uma boa oportunidade para revisitar algumas das decisões polémicas de Ivo, todas derrotadas na Relação, que libertaram traficantes de droga e seguranças da noite muito perigosos, criando danos irreversíveis nos processos. Afinal, nem tudo se resumirá à decisão instrutória no caso de Sócrates. Aguardemos. Também que o Supremo diga quem foi o juiz de instrução e enquadre as suas decisões.
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