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Eduardo Dâmaso

Eduardo Dâmaso

Jornalista

A liderança de Carneiro

28 de março de 2026 às 00:31

O PS vive um dos momentos mais complexos da sua história. Anda muita gente entretida a discutir a liderança errática de Carneiro como se o problema fosse apenas esse. Isso é só o reflexo da tribalização suicida criada por alguns autodenominados herdeiros de Costa. Não gostam de Carneiro, como não queriam Seguro em Belém. Têm um sentimento de propriedade sobre o partido, mas não têm alternativa. Não têm propostas de mudança, são mera expressão de uma cultura de canibalismo político e quase ignoram que existe um País fora dos estúdios de televisão. Essa é a bolha do PS, como é a do PSD. Há um défice grande na relação dos partidos com a sociedade, com segmentos eleitorais cada vez mais expressivos, fora dos nichos habituais de pensionistas e Função Pública, como os jovens e mulheres. Basta olhar para o conselho estratégico criado por Carneiro. Mero equilibrismo entre grupos de interesses. Parece a brigada do reumático. Zero de modernidade, zero de inovação, zero de renovação. Carneiro e todo o PS têm de perceber que têm um desafio existencial pela frente. Isso é evidente, à esquerda e à direita, como mostraram as presidenciais, com o eleitorado em acelerada mutação. Um eleitorado que se move por lideranças, é certo, mas cada vez mais pelas contas da sua vida. E isso importa muito mais discutir, nesta fase, do que a personalização da liderança. Sem boas propostas, não chega lá Carneiro nem nenhum dos críticos.

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