Sócrates, dez anos de investigação, acusação, demolição da acusação, recuperação da dita pela Relação, dezenas de recursos, uma complexa geografia processual e delicada filigrana jurídica para salvar um caso que, na sua lenta progressão e objeto, desonra a democracia portuguesa. Não exprime só as dificuldades da Justiça. Essas, são óbvias. Mesmo assim, é a Justiça que salva a honra do convento. Teve a coragem de investigar um primeiro-ministro. Exprime, sobretudo, um legislador manhoso, que criou uma Justiça rápida e eficaz para julgar os crimes de sangue, mas também outra que se move a passo de tartaruga, refém dos alçapões criados no Parlamento para proteger a nata do regime. Exprime a hipocrisia dos que assistiram, impávidos e serenos, às tentativas de silenciamento deste jornal, e de todos os meios da então Cofina, através de um controlo gizado a partir da própria ERC, onde pontificava Arons de Carvalho. Também de um tribunal, onde estava uma juíza amiga de alguém, que decretou uma mordaça insólita, num momento em que Sócrates nos exigia milhões. Dez anos depois, assistimos, de novo, a tentativas de desacreditação dos investigadores que levaram Sócrates à prisão. Apesar disso, respira-se melhor, é certo, mas enquanto o julgamento não se realizar, a impunidade permanecerá.
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