Passos Coelho entrou na campanha e não deixou ninguém indiferente. Foi incisivo no ataque ao PS e ao Governo. Mostrou que ainda está disponível para a política. Passos não é uma solução eleitoral neutra. Ainda é um bom trunfo de diabolização junto do eleitorado mais velho a que os opositores da AD se agarram. Os cortes nas pensões são difíceis de apagar. Mas em Faro ficou no ar um efeito que Passos pode ter pelo menos na dinamização da campanha. Disse umas palavras triviais sobre segurança e imigração e causou um terramoto. A esquerda empurrou-o para a extrema-direita e chama-lhe ignorante, mas a verdade é que entrou em dois temas que, até aqui, têm sido exclusivos do Chega. A AD e o PS nunca discutirão a segurança e a imigração nos termos em que o Chega o faz, mas devem perder o medo de abraçar estes temas. Não na perspetiva da ligação entre crime e imigração. Não há qualquer evidência disso. Mas não podem entregar tais bandeiras ao Chega. Deveriam construir um amplo consenso em torno de políticas públicas inclusivas, na imigração, e na segurança. Aqui, a questão não é a imigração. São os sinais de um certo tipo de criminalidade organizada e violenta que se vão captando. Será perigoso meter a cabeça na areia quando há execuções mafiosas em solo nacional, ligadas ao tráfico de cocaína.
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