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Paulo João Santos

Paulo João Santos

Jornalista

O efeito surpresa

03 de março de 2026 às 00:31

A Fúria Épica’ norte-americana talvez não contasse com a postura de franco-atirador assumida pelos iranianos - tudo o que mexe, tudo o que representa uma ameaça, tudo o que pode envolver outros, é para atacar. Trump, confiante na desproporção de meios, terá apontado para um conflito de curta duração: matam-se os líderes (políticos, religiosos, militares), o povo sai a rua, aparece um D. Sebastião e o problema fica resolvido. Os primeiros três dias de guerra dizem-nos que não será assim tão simples. Até Israel, que vê estas coisas de uma forma muito pragmática - destruir o que tiver de ser destruído e eliminar quem tiver de ser eliminado - já prolongou a perspetiva inicial para a conclusão da operação. A Ucrânia é, de resto, a melhor prova de como uma nação pode resistir a uma superpotência. Mas o maior problema da ‘Fúria Época’ reside, para já, no facto de não se vislumbrar quem possa assumir o poder iraniano, que garanta a estabilidade no Médio Oriente. Ao contrário do que está a acontecer na Venezuela, onde tudo continua praticamente na mesma para o povo, mas agora de acordo com os interesses dos norte-americanos, no Irão a história afigura-se com um enredo bem mais complicado. EUA e Israel já falam em tropas no terreno. Um excelente exemplo de como se sabe como começa uma guerra, mas nunca se sabe como acaba.

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