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Eduardo Dâmaso

Eduardo Dâmaso

Jornalista

Pantomina da época tonta

02 de agosto de 2024 às 00:31

A viabilização do Orçamento tem sido transformada numa pequena pantomina entre o Governo, o PS e o Chega. De um lado e de outro movimentam-se em quadros políticos do século passado. O Governo permanece obediente ao livro sagrado que Cavaco escreveu pelos idos de 1985. Grita quantos são, quantos são, à boa maneira, também velha, que Valentim Loureiro imortalizou, esperando que esse ato de ousadia, meramente proclamada, acabe com alguém a deitá-lo abaixo para depois ganhar com maioria absoluta. No PS de Pedro Nuno Santos grita-se coisa parecida, mas muitos lembram o que aconteceu ao PS, nesse mesmo 1985. No fim, deverá prevalecer o conselho de vozes mais avisadas, como a de António Costa. O ex-primeiro-ministro lembrou que Guterres viu os seus orçamentos viabilizados pelo pragmatismo de Marcelo, então líder do PSD. Percebe-se: a inspiração cavaquista vem de um tempo em que não estávamos ainda na CEE, tínhamos uma dívida gigantesca, desemprego em alta, salários atrasados. Era um País muito diferente do de hoje. Já a ‘solução Guterres/Marcelo’ vem de uma época em que a Europa já mandava na política interna e a empatia pessoal entre os dois líderes dos principais partidos foi obrigada a resolver o assunto. Se tivesse de adivinhar um desfecho para a pantomina desta época tonta, apostaria mais neste último. A Europa continua a mandar. Muito.

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