A viabilização do Orçamento tem sido transformada numa pequena pantomina entre o Governo, o PS e o Chega. De um lado e de outro movimentam-se em quadros políticos do século passado. O Governo permanece obediente ao livro sagrado que Cavaco escreveu pelos idos de 1985. Grita quantos são, quantos são, à boa maneira, também velha, que Valentim Loureiro imortalizou, esperando que esse ato de ousadia, meramente proclamada, acabe com alguém a deitá-lo abaixo para depois ganhar com maioria absoluta. No PS de Pedro Nuno Santos grita-se coisa parecida, mas muitos lembram o que aconteceu ao PS, nesse mesmo 1985. No fim, deverá prevalecer o conselho de vozes mais avisadas, como a de António Costa. O ex-primeiro-ministro lembrou que Guterres viu os seus orçamentos viabilizados pelo pragmatismo de Marcelo, então líder do PSD. Percebe-se: a inspiração cavaquista vem de um tempo em que não estávamos ainda na CEE, tínhamos uma dívida gigantesca, desemprego em alta, salários atrasados. Era um País muito diferente do de hoje. Já a ‘solução Guterres/Marcelo’ vem de uma época em que a Europa já mandava na política interna e a empatia pessoal entre os dois líderes dos principais partidos foi obrigada a resolver o assunto. Se tivesse de adivinhar um desfecho para a pantomina desta época tonta, apostaria mais neste último. A Europa continua a mandar. Muito.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
Ventura é um perigo para a democracia que o PSD agora abraça.
A humanidade evoluiu, mas há quem nunca tenha saído da Idade do Gelo.
O Relatório Anual de Segurança Interna (RASI), porém, raramente foi um documento fiável.
O seu melhor trunfo é trabalhar muito bem com os operacionais.
Donald Trump dá sinais de desorientação e não há nada pior que um homem perdido de arma na mão.
O PS vive um desafio de liderança e, sobretudo, de existência.