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Eduardo Dâmaso

Eduardo Dâmaso

Jornalista

Tirem a PJ desse filme

02 de setembro de 2026 às 00:31

A comparação de Luís Neves com J. Edgar Hoover desloca o debate da atuação do ministro para o medo de um polícia com poder político próprio. Foi isso que Ventura fez ontem ao sugerir que Neves tem Montenegro capturado. Depois de ter comparado o ex-diretor da PJ a Al Capone, a um gangster e a um traficante, Ventura, sem referir o nome de Hoover, aumentou a parada com a tese de que aquele conhecerá pecados inconfessáveis de Montenegro. Hoover esteve 38 anos à frente do FBI e ficou associado ao uso abusivo do poder policial, à vigilância ilegal e à utilização de informação para pressionar políticos. Quando Ventura cola essa imagem a Neves, insinua que este levou para o Governo uma lógica de poder baseada no controlo da informação e na intimidação. Um diretor de uma polícia que passa diretamente para um cargo político, tem a sua independência sob vigilância. Neves nunca devia ter dado esse passo e as razões estão à vista. A estratégia de Ventura passa por transformar Neves numa questão de regime, levando a PJ na água deste banho já muito conspurcado. Aqui chegados, todos os cenários e exageros são possíveis, incluindo olharmos para Ventura como o Ali Babá e chefe de 40 ladrões, apenas porque alguns deles roubavam malas no aeroporto. A paródia é definitiva, a indignação transformou-se em medíocre espetáculo, o próximo episódio é um duelo ao pôr do sol no parlamento. Tirem, ao menos, a PJ desse filme. 

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