O processo conhecido por ‘Tutti Frutti’ poderia ser uma espécie de ‘Mãos Limpas’ à portuguesa. Tem até mais ingredientes do que o caso que conduziu ao fim da I República italiana. Tem dezenas de escutas telefónicas relevantes, emails apreendidos, muitos contratos públicos sob suspeita. São dezenas os crimes investigados: corrupção, financiamento proibido de partidos, prevaricação de titular de cargo político, tráfico de influências e abuso de poder. Um cocktail explosivo. Mas que, como há muito é evidente, está a explodir nas mãos do próprio Ministério Público. Depois de quase cinco anos de letargia, só um conjunto de manchetes do CM, em novembro passado, determinou mudanças na investigação. Primeiro juntaram mais de uma dezena de processos relacionados com a Câmara de Lisboa, depois separaram. Prevaleceu uma opção burocrática, de mera gestão de papel, sobre uma verdadeira investigação. O DIAP de Lisboa empastelou, misteriosamente, o processo. Criou um monstro ingerível, quase sem arguidos, que investiga em cenário de autópsia. Mais do que suspeitos, hoje está a criar vítimas. Perdeu atualidade e está a envenenar tudo. Há de fazer umas acusações, para satisfazer alguns egos forenses, mas vai deixar pessoas penduradas mais uma década. Um verdadeiro pântano judicial.
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