Armando Esteves Pereira
Diretor-Geral Editorial AdjuntoAndré Ventura já ganhou esta corrida presidencial. Não deverá ser o próximo presidente, mas depois de nas legislativas do ano passado ter conseguido 1,43 milhões de votos e na primeira volta ter ficado cerca de 100 mil votos a menos, no dia 8 de fevereiro poderá conquistar cerca de 2 milhões de eleitores. E se nas legislativas conseguir seduzir este eleitorado, será o mais forte candidato a primeiro-ministro. No dia 8 de fevereiro tudo aponta para que o elevado nível de rejeição do Chega leve a maioria a votar António José Seguro. E será o voto de parte significativa da direita que se juntará ao voto útil da esquerda para 20 anos depois voltar eleger um socialista para o Palácio de Belém.
A ascensão de Ventura é notável. Em 10 anos arrisca a passar de único deputado do seu partido a líder partidário mais votado. Mas para esse percurso contribuiu o sistema político que Ventura ataca. Costa e Marcelo têm papel determinante com a queda de dois governos e a marcação de eleições antecipadas. Em 2025 Pedro Nuno Santos cometeu suicídio político ao forçar a queda de mais um e Marcelo voltou a chamar os eleitores. E o Chega passou de 1 para 60 deputados. Se Montenegro não governar bem e houver crise política, num País envelhecido em que muitas famílias têm dificuldade em esticar o orçamento até fim do mês, com grande sentimento de insegurança, choques de identidade por causa dos fluxos migratórios, com degradação dos cuidados de saúde , com os mais jovens a não conseguirem ter casa acesso a casa digna, Ventura aproveitará essa onda da falta de esperança e de ressentimento.
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