Cavaco ataca “discurso teatral da mentira” do Chega
André Ventura disse ser “a hora” do antigo Presidente da República assumir as suas responsabilidades.
Cavaco Silva defendeu esta sexta-feira a “ação reformista” do Governo, pedindo mais medidas, mas os principais alvos foram os partidos da oposição. O antigo Presidente da República criticou a “falta de coragem” do PS e a “impreparação” do Chega perante reformas estruturais, sem as quais Portugal continuará um país europeu “relativamente pobre”. Cavaco acusou o Chega de ser “uma força política desprovida de uma ideologia minimamente coerente que tem revelado uma óbvia impreparação técnica para falar de políticas para o progresso do País e que tem como marca distintiva a retórica da confrontação e o discurso teatral do ódio, do insulto, da calúnia e da mentira”.
Em resposta, o presidente do Chega disse já estar habituado “a este tipo de análises” do antigo chefe de Estado “de que o Chega é uma ameaça ao PSD e sobre o sistema democrático”. “Quem permitiu que o cabaz alimentar chegasse a estes valores foi o partido a que Cavaco Silva pertence. Quem permitiu desbaratar o dinheiro que veio da UE nos anos 80, 90 e 2000 e que as pessoas ficassem mais pobres e Portugal fosse, como o próprio diz, um País ‘relativamente pobre’”, atirou Ventura, deixando farpas ao social-democrata. “Quem foi primeiro-ministro durante dez anos? Quem foi Presidente da República? Não foi o André Ventura. Foi Cavaco Silva (...). É hora assumir as suas responsabilidades”, sublinhou.
Questionado sobre se as críticas de Cavaco ao Chega desacreditam este partido como parceiro do Governo em determinadas matérias, Luís Montenegro remeteu para o atual quadro parlamentar. “Até 2029, nós temos 91 deputados que apoiam este Governo e todos os demais são deputados da oposição que nós teremos de convencer a não obstaculizarem as propostas que apresentamos ao parlamento”, referiu o primeiro-ministro. Já quanto aos pedidos de reformas para o País, Montenegro considerou que o artigo de Cavaco “caiu quem nem uma luva” num Conselho de Ministros com “decisões de transformação”.
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