Esquerda e PAN dizem que estabilidade pedida por Seguro deve servir para resolver problemas e proteger democracia

Posições foram assumidas pelos partidos, em declarações aos jornalistas, no parlamento, numa primeira reação ao discurso do novo Presidente da República.

09 de março de 2026 às 13:23
Tomada de posse de António José Seguro Foto: Miguel Baltazar
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Livre, PCP, BE e PAN consideraram esta segunda-feira que a estabilidade política pedida pelo Presidente da República, António José Seguro, deve servir para resolver os problemas do país e proteger a democracia e a Constituição.

Estas posições foram assumidas pelos partidos, em declarações aos jornalistas, no parlamento, numa primeira reação ao discurso de posse do novo Presidente da República, António José Seguro.

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O porta-voz do Livre Rui Tavares afirmou que o discurso de António José Seguro, por fazer uma "menção explícita a linhas vermelhas que são as dos valores democráticos", "cumpre o que é essencial de marcação da defesa da democracia" e concordou com a necessidade de estabilidade política.

O deputado do Livre considerou que "o país neste momento quer ter estabilidade e isso é muito importante", mas ressalvou que a posição de Seguro pode conduzir o país "diretamente a anos de orçamentos [de Estado] em duodécimos".

"Portanto, o melhor é não tentarmos adivinhar demasiado, mas cada um de nós ter o sentido de responsabilidade necessário para que o país não acrescente instabilidade à instabilidade que já temos no mundo", frisou, acrescentando que o Livre dará o seu contributo, desde que a "estabilidade defenda a democracia e a Constituição, que não precisa de mudar".

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O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, pediu a Seguro que cumpra a Constituição e enfatizou que acompanha o diagnóstico feito sobre a realidade do país, mas lamenta que não tenham sido referidas soluções e as causas dos problemas.

Raimundo afirmou também não faltarem compromissos políticos em Portugal e que o problema está no objetivo dos compromissos que são feitos, dando como exemplo o novo pacote laboral ou o que disse ser uma "política de desmantelamento do Serviço Nacional de Saúde".

Em relação à estabilidade política pedida pelo Presidente no seu discurso de posse, o líder do PCP afirmou que de nada serve se não for utilizada para resolver, por exemplo, a precariedade entre os jovens ou aumentar salários.

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"A estabilidade política serve para quê? Para resolver isto ou para acentuar isto? Se for para resolver é bem-vinda, se for para acentuar não vale a pena", rematou.

O coordenador do BE, José Manuel Pureza, sublinhou que espera que António José Seguro "seja totalmente firme contra quaisquer iniciativas" contra o direito internacional e também que se oponha ao pacote laboral proposto pelo Governo.

Questionado sobre o compromisso pela estabilidade política, o bloquista afirmou que a "estabilidade decorre da qualidade da vida das pessoas".

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"Se as pessoas tiverem uma vida boa, uma vida digna, certamente darão condições para que haja estabilidade. O resto é aritmética e eleitoral e sobre isso eu não gostaria muito de falar", argumentou.

Inês de Sousa Real, porta-voz do PAN, argumentou que é muito importante um novo ciclo de estabilidade focado "nos grandes temas da atualidade" como a crise climática ou a violência contra mulheres.

"Um período de grande estabilidade para que o país possa recuperar, possa progredir, possamos ter progresso aliado com a economia verde e aliado, como é evidente, com um maior diálogo", pediu a deputada única do PAN.

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Sousa Real espera que o primeiro-ministro "Luís Montenegro tenha sabido ouvir o recado do Presidente" e dialogue mais com todas as forças políticas representadas no parlamento.

O novo Presidente da República, António José Seguro, afirmou esta segunda-feira que tudo fará para travar o "frenesim eleitoral" e pediu aos partidos com representação parlamentar "um compromisso político claro" pela estabilidade.

No seu discurso de posse como Presidente da República, na Assembleia da República, António José Seguro considerou que, terminado "um ciclo eleitoral de três eleições e quatro idas às urnas em apenas novo meses", Portugal tem "uma oportunidade de ouro" para encontrar "soluções duradouras" num "novo ciclo de três anos sem eleições nacionais".

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