Livre questiona Governo sobre poluição no rio Torto no Porto
Partido escreve a Maria da Graça Carvalho e Aguiar-Branco para denunciar situação "que dura há anos".
O Livre questionou esta quarta-feira o Ministério do Ambiente e Energia quanto à "situação incomportável" de poluição ambiental nas margens do rio Torto, em Campanhã, no Porto, denunciando uma "operação ilícita de desmanche de resíduos de equipamentos elétricos e eletrónicos".
Na missiva datada de esta quarta-feira, a que a Lusa teve acesso, o partido escreve à ministra Maria da Graça Carvalho e ao presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, no sentido de denunciar uma situação "que dura há anos" e que foi relatada a elementos do partido, no local, por moradores da zona de Azevedo, na zona oriental da cidade.
"De acordo com estes cidadãos, a extração destes materiais é feita com recurso a queimadas a céu a aberto, com graves consequências para a contaminação do ar envolvente, e de quem o respira, num terreno contíguo ao rio Torto, implicando também infiltrações para as águas de outros rios, bem como a deposição de resíduos, quer na sua margem, quer nos contentores de resíduos domésticos existentes na via pública, pertencentes à autarquia", pode ler-se no documento.
O Livre lembra que a Câmara do Porto "procurou dar resposta ao problema", ao remeter o que se sabe para as entidades competentes e "procurando efetuar as diligências possíveis", assim como a Polícia Municipal do Porto, a Brigada de Proteção Ambiental da PSP e a GNR, mas "nada mudou e a situação continua".
Os deputados do Livre questionam, assim, a ministra do Ambiente sobre se tem conhecimento da situação e como planeia "ser consequente com a legislação em vigor e, junto dos organismos supramencionados, garantir o cumprimento dos direitos dos habitantes de Azevedo".
Numa nota de imprensa entretanto divulgada, o partido dá conta de uma visita recente ao local, que incluiu o deputado Jorge Pinto, a partir da qual propõe "a recuperação ambiental do rio Torto" e a sua defesa de "focos de contaminação".
"A visita permitiu identificar a necessidade premente de valorizar a área envolvente do rio Torto, sendo que o partido defende que esta zona deve ser recuperada e devolvida à fruição da cidade, transformando-se num corredor verde que promova a biodiversidade e o bem-estar dos moradores", defendem.
O Livre levará à Assembleia Municipal do Porto "a reabilitação e renaturalização dos cursos de água da cidade", entre eles o Torto e as ribeiras da Granja e de Aldoar, pedindo um reforço do "papel fundamental" da Câmara na proteção dos cursos de água da cidade.
O rio Torto, afluente da margem direita do Douro, nasce no concelho de Gondomar e desagua em Campanhã, perto do palácio do Freixo, atravessando, no Porto, sobretudo terrenos agrícolas.
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