Luís Montenegro foi o líder do PSD eleito com menos votos desde que há diretas
Montenegro foi reeleito presidente do PSD com 94,8% dos votos em eleições diretas no partido, às quais concorreu sem oposição interna.
Luís Montenegro foi reeleito presidente do PSD no sábado com 14.467 votos, o menor número em valor absoluto desde que há eleições diretas no partido, que registaram igualmente a maior taxa de abstenção de sempre (73,2% dos inscritos).
Montenegro foi reeleito presidente do PSD com 94,8% dos votos em eleições diretas no partido, às quais concorreu sem oposição interna, para um mandato de dois anos na liderança dos sociais-democratas.
De acordo com os dados divulgados pelo Conselho Nacional de Jurisdição do PSD, num total de 56.868 militantes inscritos, votaram 15.261. Luís Montenegro obteve 14.467 votos e registaram-se ainda 525 votos em branco e 269 nulos.
As primeiras eleições diretas no PSD realizaram-se em 2006 (antes a eleição era feita pelos delegados em congresso) e tiveram então uma participação de 37% do total de militantes em condições de votar, e que se mantinha como a mais baixa de sempre até sábado, dia que votaram apenas 26,8% dos militantes que o podiam fazer (com uma quota válida nos últimos dois anos).
Em números absolutos, o líder do PSD que até agora tinha conquistado menos votos numa eleição direta era Rui Rio, mas numa primeira volta muito disputada a três (com Luís Montenegro e Miguel Pinto Luz), quando conseguiu 15.546 votos.
Em eleições com candidato único, como foi o caso das 13.ªs eleições diretas do PSD, tinha sido Pedro Passos Coelho, em 2014, a registar o menor número de votos na sua primeira reeleição, 17.521, número que subiu para cerca de 22 mil na terceira e última vez que foi eleito (também sem adversários).
Já a participação nas diretas para escolher o presidente do PSD tinha variado, até sábado, entre os 37% de 2006 e os 80% de 2020.
No entanto, entre 2020 e 2024 vigoraram regras diferentes em que apenas se permitia o voto a quem tinha quotas válidas no mês da eleição (e não a todos os militantes ativos, com pelo menos uma quota paga nos últimos dois anos, como antes dessa data e como voltou a ser possível nas atuais diretas).
Pelo país, a participação dos militantes também foi muito diferente: por exemplo, na Madeira (onde tem havido divergências entre a direção regional e nacional) apenas votaram 15% dos militantes inscritos (e apenas 11% votaram em Luís Montenegro, em vez de branco ou nulo) e em Coimbra apenas 13% dos sociais-democratas em condições de votar foram às urnas.
Entre as maiores distritais do PSD, a pior participação registou-se na Área Metropolitana de Lisboa -- votaram 16% dos inscritos -, seguindo-se Braga em que votaram perto de 21% do total e Porto, com 23%, todas abaixo da média nacional de participação.
Ao contrário, Aveiro teve uma participação acima da média, 31% (em Espinho, secção onde milita Montenegro votaram 55% dos inscritos), tal como Viseu (45%) ou Vila Real (58%).
As "diretas" para o cargo de presidente da Comissão Política Nacional do PSD decorreram em simultâneo com a eleição dos delegados ao 43.º Congresso Nacional, marcado para 20 e 21 de junho em Anadia, no distrito de Aveiro.
Primeiro-ministro desde 02 de abril de 2024, Luís Montenegro foi eleito pela primeira vez presidente do PSD em 28 de maio de 2022, numa eleição em que derrotou com mais de 72% dos votos o antigo dirigente social-democrata Jorge Moreira da Silva. Foi depois reeleito em 2024 sem adversários com 97,45%.
Há dois anos, votaram nas eleições diretas para presidente da Comissão Política Nacional (CPN) 16.602 militantes, de um universo de 41.863 militantes com capacidade eleitoral. Ou seja, nas eleições diretas de 2024 votaram mais militantes, num universo eleitoral mais pequeno do que o atual.
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