Moção de Carneiro acusa AD de estar a "hipotecar futuro" e deixa alertas sobre habitação
Foram ainda apontadas "linhas vermelhas" na saúde, Segurança Social e educação.
Os socialistas que apresentaram a moção de José Luís Carneiro acusaram este sábado a AD de "hipotecar o futuro" do país, com fortes alertas sobre a crise na habitação, apontando "linhas vermelhas" na saúde, Segurança Social e educação.
Estes alertas foram deixados pelos quatro socialistas encarregados de apresentar a moção política de orientação nacional do secretário-geral socialista, José Luís Carneiro, no 25.º Congresso do PS, que decorre até domingo em Viseu.
"A triste realidade, camaradas, é que com este Governo da AD a economia está a abrandar. (...) A AD está a hipotecar o futuro coletivo do país", acusou Filipe Santos Costa, membro do Secretariado Nacional do partido.
O socialista avisou ainda que o partido tem "linhas vermelhas": "Não abdicamos da existência de um Serviço Nacional para todos, da Segurança Social universal, e da escola pública para todas as idades".
Recordando a "paixão pela educação" de António Guterres, em 1995, e o investimento em energias renováveis e desenvolvimento digital de 2005, com José Sócrates, Filipe Santos Costa defendeu um desenvolvimento económico com uma forte aposta na qualificação e formação profissional e no aumento de rendimentos, com políticas de "finanças e fiscalidade equitativas".
Isabel Estrada Carvalhais, ex-deputada no Parlamento Europeu, deixou alertas fortes sobre a crise na habitação, avisando que sem casa "não existe justiça social" e realçando que este direito está consagrado na Constituição da República Portuguesa.
"Eu sei do que falo, não falo de cor", salientou, afirmando que quando era criança, assistiu "à luta diária dos pais para encontrar uma habitação digna".
A socialista defendeu que "a justiça social não é uma ideia fora de moda, não é uma expressão retórica, e é inseparável da dignidade da pessoa".
"E quem não percebe isto não percebe nada do que é a social-democracia", atirou.
De seguida, Fátima Fonseca centrou a sua intervenção na defesa do funcionamento do Estado, "que é uma força e não um fardo".
A antiga secretária de Estado defendeu "um novo Simplex com a utilização ética da Inteligência Artificial" e alertou que a qualidade da resposta do Estado às necessidades dos cidadãos "afeta a qualidade da democracia".
"Modernizar o Estado não é um exercício técnico de gestão, é um ato de defesa da democracia", sublinhou.
Por último, André Moz Caldas, antigo secretário de Estado, considerou que a reunião magna do PS tem "uma responsabilidade histórica": "Mostrar que o PS continua a ser a grande força democrática capaz de proteger o país e transformá-lo".
Para atingir esse objetivo, realçou, é preciso "reconquistar a confiança dos portugueses", apresentando-se como contraponto a um caminho de radicalização.
Moz Caldas salientou que a moção de Carneiro "afirma a coesão territorial como condição da democracia" porque "Portugal não é apenas de Lisboa ou do litoral, e o PS nunca aceitou que fosse"
"É por isso que defendemos a regionalização", acrescentou.
"Contamos todos" é o mote da moção global de estratégia com a qual José Luís Carneiro avançou às eleições diretas do PS que venceu 97,1% dos votos em 13 e 14 de março e que será discutida e votada em congresso.
O texto coloca o foco na habitação, saúde, melhores salários e nova política fiscal, afirmando que o partido não procura eleições antecipadas, mas quer estar preparado para "todas as responsabilidades".
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