Nova PGR garante que vai lutar pelo processo Marquês

Sem rodeios, a nova líder do MP diz que vai manter Amadeu Guerra no DCIAP e que a Polícia Judiciária tem posição de relevo na investigação criminal.

13 de outubro de 2018 às 01:30
Lucília Gago cumprimenta a sua antecessora, depois de ter elogiado o trabalho dos últimos seis anos. Magistradas chegaram juntas Foto: Lusa
Lucília Gago tomou posse como nova procuradora-geral da República Foto: Tiago Sousa Dias
Procuradora-Geral de República, Lucília Gago Foto: Tiago Sousa Dias
Joana Marques Vidal emocionada Foto: Tiago Sousa Dias

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Quem esperava um discurso de circunstância, enganou-se. Lucília Gago, a nova procuradora-geral de República, não usou palavras mansas no dia da tomada de posse. Garantiu que vai manter o combate à corrupção no topo das prioridades do combate ao crime e falou do processo Marquês para assegurar que o Ministério Público se vai bater, na fase de instrução, pela investigação assinada por Rosário Teixeira.

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Amadeu Guerra, o homem forte do DCIAP; e Luís Neves, o número um da PJ, não foram esquecidos. Lucília Gago garantiu que Amadeu Guerra tem a sua confiança e vai manter-se à frente do departamento que investiga os grandes casos. Sobre Luís Neves, referiu que a Polícia Judiciária possui uma posição de relevo no quadro dos órgãos de investigação criminal - num claro recado ao caso de Tancos em que a Polícia Judiciária Militar tentou ultrapassar aquela polícia.

Outros recados ao Governo foram diretos. Lucília Gago quer que a PJ seja dotada de mais meios, designadamente na Unidade de Perícia Financeira e Contabilística, pois só assim é possível combater a criminalidade económica e financeira. A magistrada diz depois que é preciso o poder político avançar para uma reforma que agilize a tramitação processual, evitando que as manobras dilatórias muitas vezes interpostas pelas defesas possam asfixiar os processos.

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No seu discurso, a nova PGR teve ainda oportunidade de responder a boatos. Reportando-se a uma foto que correu nas redes sociais, em que se garantia que a magistrada tinha almoçado com Sócrates após aquele ser libertado, Lucília Gago falou das "teorias da conspiração originadas em notícias falsas divulgadas pelas redes sociais" que são suscetíveis de manchar a reputação e a honra do visado.

As últimas palavras da agora nova magistrada que lidera o Ministério Público foram para Joana Marques Vidal, a sua antecessora, realçando a forma como exerceu o mandato e os visíveis avanços alcançados na área da investigação criminal.

Corrupção com forte combate  

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Na cerimónia, o Presidente da República defendeu  que "o combate sem tréguas à corrupção" deve ser uma prioridade nacional e que devem ser asseguradas condições para a autonomia do Ministério Público "em termos de estatuto e de recursos".

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