Nova PGR garante que vai lutar pelo processo Marquês
Sem rodeios, a nova líder do MP diz que vai manter Amadeu Guerra no DCIAP e que a Polícia Judiciária tem posição de relevo na investigação criminal.
Quem esperava um discurso de circunstância, enganou-se. Lucília Gago, a nova procuradora-geral de República, não usou palavras mansas no dia da tomada de posse. Garantiu que vai manter o combate à corrupção no topo das prioridades do combate ao crime e falou do processo Marquês para assegurar que o Ministério Público se vai bater, na fase de instrução, pela investigação assinada por Rosário Teixeira.
Amadeu Guerra, o homem forte do DCIAP; e Luís Neves, o número um da PJ, não foram esquecidos. Lucília Gago garantiu que Amadeu Guerra tem a sua confiança e vai manter-se à frente do departamento que investiga os grandes casos. Sobre Luís Neves, referiu que a Polícia Judiciária possui uma posição de relevo no quadro dos órgãos de investigação criminal - num claro recado ao caso de Tancos em que a Polícia Judiciária Militar tentou ultrapassar aquela polícia.
Outros recados ao Governo foram diretos. Lucília Gago quer que a PJ seja dotada de mais meios, designadamente na Unidade de Perícia Financeira e Contabilística, pois só assim é possível combater a criminalidade económica e financeira. A magistrada diz depois que é preciso o poder político avançar para uma reforma que agilize a tramitação processual, evitando que as manobras dilatórias muitas vezes interpostas pelas defesas possam asfixiar os processos.
No seu discurso, a nova PGR teve ainda oportunidade de responder a boatos. Reportando-se a uma foto que correu nas redes sociais, em que se garantia que a magistrada tinha almoçado com Sócrates após aquele ser libertado, Lucília Gago falou das "teorias da conspiração originadas em notícias falsas divulgadas pelas redes sociais" que são suscetíveis de manchar a reputação e a honra do visado.
As últimas palavras da agora nova magistrada que lidera o Ministério Público foram para Joana Marques Vidal, a sua antecessora, realçando a forma como exerceu o mandato e os visíveis avanços alcançados na área da investigação criminal.
Corrupção com forte combate
Na cerimónia, o Presidente da República defendeu que "o combate sem tréguas à corrupção" deve ser uma prioridade nacional e que devem ser asseguradas condições para a autonomia do Ministério Público "em termos de estatuto e de recursos".
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