PS acusa Governo de "criar medo" à volta da sustentabilidade da Segurança Social
André Moz Caldas exigiu esclarecimentos à ministra do Trabalho, que quer chamar ao Parlamento.
O PS acusou esta segunda-feira o Governo de "criar medo" às pessoas ao encomendar um estudo sobre a sustentabilidade da Segurança Social e exigiu esclarecimentos à ministra do Trabalho, que quer chamar ao Parlamento.
"Colocar medo às pessoas é aquilo que o Governo fez ao encomendar um relatório precisamente a quem sabia que tem uma narrativa de décadas a favor dos sistemas privados de Segurança Social e contra a Segurança Social pública. Isso é que é criar medo", afirmou o porta-voz do PS e membro do Secretariado Nacional.
Em conferência de imprensa na sede nacional do partido, em Lisboa, André Moz Caldas considerou que "o que o Governo fez na semana passada gera o pânico das pessoas relativamente à possibilidade de manterem as pensões que estão a pagamento, e muito em particular nas gerações mais jovens, da possibilidade de construírem uma pensão que lhes permita ter uma vida digna nas fases mais adiantadas da sua vida".
"O Partido Socialista quer a garantia do Governo de que não o fará, e quer acima de tudo que o Governo explique por que razão é que encomendou e divulgou um estudo, se não tinha nenhuma intenção nesta legislatura de tomar medidas na Segurança Social, porque isso é de facto causa de perplexidade", disse.
O dirigente do PS indicou que o partido pretende chamar ao parlamento a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Maria do Rosário Palma Ramalho, para compreender se o Governo tem "uma divergência relativamente à metodologia do relatório, ao conteúdo do relatório, aos resultados do relatório, e está firme nessa sua convicção de não retirar dele consequências em termos de transformações no sistema de Segurança Social".
Moz Caldas salientou que o PS "vai sempre posicionar-se na defesa das pensões, não apenas das pensões a pagamento, mas também das pensões que ainda se encontram em formação".
Sobre o aumento do custo de vida, tema da conferência de imprensa, André Moz Caldas referiu o aumento de vários preços, desde os combustíveis ao cabaz alimentar e exemplificou que "uma família com consumo mensal de dois depósitos de gasóleo, dois cabazes alimentares, duas garrafas de gás e a prestação da casa, suporta hoje um encargo mensal superior em 128 euros ao que tinha no início do ano".
O dirigente considerou que estes dados "exigem respostas do Governo" e disse que o partido "não exclui o exercício de qualquer iniciativa na esfera parlamentar que esteja ao seu alcance".
Questionado se o PS vai apresentar alguma iniciativa sobre esta matéria no arranque da nova sessão legislativa, André Moz Caldas referiu que o partido já apresentou algumas, que foram rejeitadas, e defendeu que "exige-se ao Governo que explique ao país porque é que hesita em apoiar as famílias portuguesas num contexto de crise agravada do custo de vida".
O porta-voz do PS foi questionado ainda sobre a iniciativa que o Chega quer levar ao parlamento e que pede a exoneração do ministro da Administração Interna e insistiu que Luís Neves "não tem condições para assegurar a exigência das funções que a Segurança Interna e a soberania exigem".
"Agora a responsabilidade já não é do ministro da Administração Interna, a responsabilidade é toda do primeiro-ministro, e é o primeiro-ministro o nosso interlocutor. Se o primeiro-ministro não tomar nenhuma atitude, é para ele que se transferem todas as responsabilidades", sustentou.
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