Seguro diz querer olhar para o País como um todo e pede acordo sobre a reforma laboral

No segundo dia como Presidente, António José Seguro fez um apelo ao diálogo e, horas depois, parceiros sociais aceitam reunir-se. Novo Chefe de Estado passou por Arganil, Guimarães e Porto.

11 de março de 2026 às 01:30
António José Seguro esteve esta terça-feira na aldeia de Mourísia, em Arganil Foto: Paulo Novais/Lusa
Partilhar

António José Seguro começou o seu segundo dia na Presidência da República a pagar uma promessa. No final de agosto, quando ainda era candidato, foi à aldeia de Mourísia, no concelho de Arganil, e garantiu aos seus 10 habitantes que ali ia regressar no primeiro ato como chefe de Estado, se ganhasse a corrida a Belém. A eleição, que era então pouco provável, aconteceu em fevereiro e o acordado com os moradores, que no verão passado estiveram cercados pelas chamas, foi cumprido esta terça-feira.

À entrada da localidade, foi colocada uma faixa de boas vindas ao sucessor de Marcelo, que foi recebido com aplausos, em festa. “As pessoas têm de ter a certeza de que quando o poder político fala é para valer”, defendeu Seguro, que descerrou uma placa a assinalar a visita e se estreou nas ‘selfies’. Do interior de Portugal, “que é rijo e que é corajoso”, falou aos que, em Lisboa, têm em mãos um dossier que toca a todos. “O País precisa de um acordo equilibrado em matéria de legislação laboral”, considerou, apelando a que “os representantes dos trabalhadores, os representantes dos empresários e o Governo voltem rapidamente a sentar-se para encontrarem uma solução”. Horas mais tarde, os parceiros sociais aceitaram regressar às negociações. 

Pub

Em janeiro, Seguro pronunciou-se sobre este tema, no debate da segunda volta das presidenciais, contra André Ventura. “Se o que chegar a Belém for um decreto com [a versão] inicial vetarei politicamente”, disse, contestando o alargamento dos contratos a termo e do ‘outsourcing’. “Como Presidente gostaria que o debate que ocorresse na concertação social tivesse a ver com o futuro da economia”, afirmou ainda, a esse propósito. Nessa altura, admitiu que, bastará o Executivo chegar a acordo com a UGT para promulgar a reforma laboral, não tendo de existir necessariamente um entendimento com a CGTP. Agora, não é tão taxativo. “Das informações que recolhi, nada está fechado. A minha esperança é que o regresso à mesa das negociações conduza a um acordo equilibrado. É esse o meu desejo”, referiu, já enquanto chefe de Estado.

Alerta para a proteção do planeta e resposta às alterações climáticas

O programa alargado de tomada de posse incluiu uma intervenção no Laboratório da Paisagem, em Guimarães. O discurso de Seguro durou menos de cinco minutos. “Cada geração tem a sua missão. A geração que aqui fundou Portugal lutou pela independência, pela liberdade e pela afirmação de um povo. A nossa geração enfrenta outro desafio decisivo, o de proteger o planeta, responder às alterações climáticas e garantir às próximas gerações um futuro sustentável”, alertou. O Presidente da República entende que “preservar o património e cuidar da natureza são parte da mesma responsabilidade”, que se resume a “proteger aquilo que recebemos e de o entregar melhor a quem vier depois de nós”. 

Pub

“Portugal é um todo em que todos contam”

“Portugal é um todo, um País em que todos contam e em que nenhum território pode ser dispensado", afirmou o António José Seguro, no Porto, onde foi recebido no no Salão Nobre dos Paços do Concelho. No discurso que aí fez, garantiu que “a coesão territorial não é para o Presidente da República uma palavra de circunstância”. À cidade em que falava, deixou rasgados elogios, em várias áreas. “Não é apenas um lugar no território, é uma afirmação de caráter, uma forma de estar na história e no Mundo”, defendeu.

Antes, o presidente da Câmara do Porto tinha considerado que a presença do chefe do Estado se reveste de “um importante simbolismo”. “Certifica que a mais alta figura do Estado Português olha para o território nacional como um todo. E que nos trata por igual”, afirmou Pedro Duarte, que concorda com Seguro que “este é o tempo para a igualdade de oportunidades e para a coesão territorial”. “É o tempo certo para nos libertarmos de um centralismo degradante, paralisador e opressivo que há demasiadas décadas bloqueia o desenvolvimento”, disse o autarca, que vê no socialista “a calma inconformada de que o País precisa neste momento”.

Pub

A visita terminou na Casa da Música, com as atuações dos jovens integram o programa municipal Desporto no Bairro, da Orquestra Juvenil da Bonjóia e de Pedro Abrunhosa.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar