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Sindicatos dispostos a negociar aumento do salário mínimo

UGT diz estar disponível para discutir um acordo de médio prazo que fixe patamares do salário mínimo.

29 de outubro de 2019 às 07:50

O primeiro-ministro tem, para já, luz verde das centrais sindicais na negociação para o aumento do salário mínimo nacional para os 750 euros até 2023. A UGT é a mais disponível, sendo que para o Estado a Frente Comum quer 90 euros já em janeiro.

"A nossa meta é atingir no final de 2023 um salário mínimo de, pelo menos, 800 euros e para o ano a nossa proposta é de 660 euros. Se quiserem fazer um acordo de médio prazo fixando já os patamares, isso depende da concertação social. Vamos ver também qual é a vontade dos empregadores em assumir claramente mais ambição na procura de um patamar de equilíbrio", disse Carlos Silva.

O secretário-geral da UGT deixou a farpa: "Nós estamos disponíveis para isso, os empregadores estarão? É a pergunta que aqui se faz", vincou, lembrando que "a previsibilidade dos salários é boa para as empresas".

No que toca ao Estado, a Frente Comum – afeta à CGTP – reivindicou esta segunda-feira um "aumento mínimo" de 90 euros para todos os trabalhadores a partir de 1 de janeiro e mostrou-se convicta de que o programa de Governo não vai dar "descanso" à administração pública. Quanto ao setor privado, Arménio Carlos, líder da CGTP, já tinha admitido que os 750 euros são um bom ponto de partida na negociação.

Esta segunda-feira, o primeiro-ministro foi ao Pragal de comboio – quase ainda a lembrar a campanha eleitoral – cumprir a promessa que tinha feito antes das eleições, regressando a um café onde tinha estado como líder socialista.

"Tinha sido a primeira combinação, se ganhasse as eleições vinha cá tomar um café", referiu António Costa no Ponto do Café, onde se encontrou com as duas funcionárias a quem fez a promessa. O cenário foi pior no regresso, já que Costa voltou a Lisboa em plena hora de ponta, com o comboio proveniente de Setúbal completamente lotado, em modo ‘sardinha em lata’.

SAIBA MAIS

1974

A 27 de maio de 1974 foi criado em Portugal o salário mínimo nacional, por iniciativa do governo provisório de Adelino da Palma Carlos, no valor de 3300 escudos (16,5 euros). A medida atingiu então 56% dos trabalhadores portugueses.

Sem fórmula

Em Portugal, não existe uma fórmula matemática para calcular o salário mínimo. O cálculo da atualização decorre sempre de uma decisão política, que envolve negociações entre o Governo, as centrais sindicais e as entidades patronais.

Miguel Pinto Luz diz que medidas são "demagogia"

O candidato à liderança do PSD Miguel Pinto Luz diz que o programa de Governo não tem ambição e se resume a um conjunto de "slogans eleitorais". O autarca de Cascais classifica como "demagogia mais primária" o uso do salário mínimo.

"Quase tudo o que resta, neste programa de Governo, se resume a slogans eleitorais e a um punhado de boas intenções que jamais passarão do papel. Porque este primeiro-ministro só tem uma verdadeira obsessão: permanecer no poder", criticou Pinto Luz em comunicado.

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