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Governo ignora País parado contra lei laboral

Sindicatos falam numa das maiores greves gerais de sempre, com a adesão de mais de três milhões de portugueses. Governo diz que foi "inexpressiva".

12 de dezembro de 2025 às 01:30

Mais de três milhões não se apresentaram, esta quinta-feira, ao trabalho e milhares concentraram-se em frente ao Parlamento, num protesto de dimensão pouco habitual para um dia de greve geral, com os transportes parados. Mas o Governo ainda tem dúvidas se os portugueses concordam ou não com a revisão da legislação laboral. “Pensem na vossa vida, perguntem aos vossos amigos e à vossa família: A maioria fez greve ou quis trabalhar?”. A questão foi levantada pelo ministro da Presidência, o principal rosto do Governo na defesa de que a paralisação foi “inexpressiva”.

António Leitão Amaro falou duas vezes, às 12h00, antes do Conselho de Ministros, e às 16h00, depois da reunião do Executivo. A tónica foi a mesma: os que se associaram ao protesto representam “uma minoria” de descontentes, no máximo 7% da população empregada. O primeiro-ministro, a quem as poucas declarações foram arrancadas pelos jornalistas, chegou a conclusões ao início da tarde. “O País está a trabalhar”, afirmou.

O secretário-geral da GGTP disse que Luís Montenegro “tem de sair da bolha e ver a realidade”. E a realidade, sublinhou Tiago Oliveira, foi que mais de metade (56%) dos 5,3 milhões de trabalhadores em Portugal pararam. “Estamos perante uma das maiores greves gerais de sempre, se não mesmo a maior greve geral de sempre”, destacou.

Os sindicatos contaram mais de 300 serviços fechados, escolas e tribunais de portas fechadas (ver pág. 10). Houve mais 600 viagens de comboio canceladas e outros tantos voos não se realizaram. O líder da UGT admitiu vir a convocar uma nova greve. Mário Mourão viu 11 de dezembro como “o começo de uma nova negociação ou o começo de uma longa luta”. As duas centrais sindicais, que se aliaram 12 anos depois, foram desafiadas pelo presidente da CIP a juntarem-se aos patrões para construírem uma alternativa ao plano do Governo. “Não temos de ficar à espera”, enfatizou Armindo Monteiro, no NOW.

Ao final do dia, uma minoria dos manifestantes junto à AR provocou desacatos, incendiando caixotes do lixo e cartazes, e atirando objetos contra a polícia. O corpo de intervenção da PSP teve de agir.

Leitão Amaro fala sobre adesão ao trabalho em Portugal
Leitão Amaro fala sobre adesão ao trabalho em Portugal FOTO: Direitos Reservados

E também

Ministro alvo de críticas

O deputado socialista Eurico Brilhante Dias comparou o ministro da Presidência a um “ministro da propaganda do Iraque na guerra do Golfo”. Entre os candidatos presidenciais, António Filipe acusou Leitão Amaro de estar “em estado de negação” e Jorge Pinto considerou “ofensivo dizer-se que a adesão a esta greve é inexpressiva”.

Perturbações na CP

A CP ainda prevê para hoje “possíveis impactos” da greve geral na circulação de comboios. O reembolso de bilhetes pode ser pedido nos próximos 10 dias.

Escolas ‘ponte’

As escolas poderão continuar fechadas hoje, devido à greve do Sindicato Independente dos Trabalhadores dos Organismos Públicos e Apoio Social. Serviços como a recolha de lixo poderão igualmente só ser retomados na próxima semana.

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