Escola profissional ITAP é detida pela autarquia.
A Câmara de Coimbra nomeou a ex-vereadora do Chega no município, que se desvinculou do partido em janeiro, como gestora escola profissional ITAP, detida pela autarquia, afirmou, esta segunda-feira, o vice-presidente.
A única vereadora eleita pelo Chega na Câmara de Coimbra, Maria Lencastre Portugal, que se desfiliou do partido em janeiro e passou a independente, vai ser a gestora-executiva da Prodeso, empresa municipal que detém o Instituto Técnico Artístico e Profissional (ITAP), disse à agência Lusa o vice-presidente da autarquia, Miguel Antunes.
Segundo o membro do executivo liderado pela coligação Avançar Coimbra (PS/Livre/PAN), o município, enquanto acionista único, propôs a nomeação de Maria Lencastre Portugal como gestora-executiva, num despacho formalizado e assinado, esta segunda-feira, ao final da tarde.
Questionado sobre o porquê desta decisão, Miguel Antunes afirmou que a Prodeso precisava de uma nova gerência e encontrou na vereadora alguém "muito alinhada" com o atual executivo, quer "em termos políticos, quer em termos de ideais e de opções".
Sobre a decisão de ser nomeada uma pessoa que foi eleita pelo Chega e que estava filiada naquele partido até janeiro, Miguel Antunes vincou que a vereadora é, neste momento, independente.
"O alinhamento tem sido claro. A vereadora nunca foi nada menos do que correta e clara comigo e, até durante a campanha, estava alinhada com a candidatura de Ana Abrunhosa [presidente de Câmara eleita em outubro]", salientou.
Miguel Antunes afirmou que o convite para o cargo, que é remunerado, foi feito já depois da desfiliação de Maria Lencastre Portugal do Chega e alegou que, nesta decisão, "não há nenhuma presunção" de acordo dentro do executivo, em que a coligação Avançar Coimbra não tem maioria (cinco dos 11 vereadores).
Segundo as atas de reuniões do executivo consultadas pela agência Lusa até ao final de janeiro, Maria Lencastre Portugal, que é assistente social na Universidade de Coimbra, votou favoravelmente todas as decisões do município, com exceção de uma abstenção.
Nas reuniões, a vereadora tem aproveitado várias das suas intervenções para deixar notas de congratulação por várias decisões e ações da atual Câmara Municipal, tendo como alvo das críticas o anterior executivo, composto por uma coligação liderada pelo PSD.
Contactada pela Lusa, Maria Lencastre Portugal vincou que a nomeação não pressupõe "disciplina de voto" nas reuniões do executivo, referindo que os votos esmagadoramente a favor devem-se apenas àquilo que entende ser "o melhor para Coimbra".
"A presidente e o vice-presidente lembraram-se de mim, em virtude de eu ter estado em uníssono com o executivo", disse, salientando que nunca pensou na Prodeso e que a sua desvinculação do Chega não está relacionada com a nomeação.
Maria Lencastre Portugal admitiu que não tem qualquer experiência em educação, gestão ou direção de escolas, mas notou que tem um percurso como assistente social, um curso de formação de formadores e "outras formações", justificando a opção, sobretudo, por ter "o perfil certo".
"Tenho todas as características, considerando o meu 'know how', para transformar a escola profissional numa escola de sucesso. [...] Aprendo rápido e contarei sempre com as pessoas que lá trabalham. Para mim, é um desafio e fazer outra coisa diferente é uma mais-valia brutal", vincou.
Questionada sobre se ponderava filiar-se no futuro no PS, Maria Lencastre disse: "Jamais".
"Sou uma pura democrata-cristã", vincou.
A 11 de janeiro, Maria Lencastre Portugal anunciou a desfiliação do partido Chega, com efeitos imediatos.
Na altura, a IL considerou que a desfiliação "teatro político", antevendo que a decisão teria sido consumada "para normalizar acordos de bastidores e preparar a redistribuição de poder dentro do executivo municipal".
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