Deputados do Chega destacaram-se nas cerimónias do 25 de Abril pelo uso de cravos com uma borda verde. Nas redes sociais, há já quem tenha feito a associação ao símbolo LGBTQ+.
Ao longo dos anos, a comunidade LGBTQ+ foi encontrando símbolos e formas de exprimir a própria identidade. A bandeira arco-íris é dos ícones mais reconhecidos, mas há um símbolo particular que marcou o século XIX em Paris - o cravo verde.
O escritor e poeta irlandês, Oscar Wilde, popularizou a moda de usar um cravo verde como símbolo da identidade gay em Paris, quando pediu aos amigos para usar a flor na lapela para a peça "Lady Windermere's Fan" em 1892, explica o museu londrino Victoria and Albert.
Usado na lapela esquerda, o cravo verde tornou-se uma espécie de código para homens que se sentiam atraídos por outros homens. O livro escandaloso de 1894 'The Green Carnation' (O Cravo Verde, em português), cujas personagens principais se baseavam em Wilde e amigos, detalhou o significado do símbolo. O livro acabou por ajudar a deter e julgar o escritor por "indecência".
Uma canção com o mesmo título na operetta de Noel Coward também constitui uma referência subtil ao estilo de vida gay.
O museu explica que na época Vitoriana várias flores escondiam "significados ocultos". Amores-perfeitos e lavanda eram termos populares no seio da comunidade LGBTQ+, bem como a flor violeta associada às mulheres lésbicas.
As flores desempenharam um papel significativo na linguagem LGBTQ+, mas à medida que o tempo ia avançando, o uso tornou-se menos popular. "Continuar a usá-las [às flores] teria um efeito oposto, trazendo atenção desmedida", esclarece o museu, justificando o abandono do símbolo.
Em Portugal, o cravo vermelho tem um significado muito marcado, dando até nome à Revolução do 25 de Abril ou Revolução dos Cravos, que pôs fim a mais de 40 anos de ditadura no País.
Este sábado, os deputados do Chega destacaram-se nas cerimónias do 25 de Abril na Assembleia da República com cravos em crochet com uma borda verde. André Ventura disse que a flor verde foi escolhida para representar a comunidade de emigrantes portugueses espalhados pelo mundo. Nas redes sociais, há já quem tenha feito a associação ao símbolo historicamente gay.
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