Líder da AR encontra-se em Macau com uma delegação que integra os deputados do Grupo Parlamentar de Amizade Portugal-China.
O presidente da Assembleia da República disse este sábado em Macau que deixa o território com "um pensamento construtivo" sobre o trabalho que ainda pode ser desenvolvido por Portugal no aproveitamento de Macau como plataforma entre China e lusofonia.
Pequim estabeleceu a Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) como plataforma para o reforço da cooperação económica e comercial com o universo lusófono em 2003 e, nesse mesmo ano, criou o Fórum de Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Fórum de Macau).
Questionado pela Lusa sobre como tem sido aproveitada esta plataforma por Lisboa e se há mais a fazer, José Pedro Aguiar-Branco notou que "são diversas as áreas em que ela se pode refletir, quer na dimensão comercial, cultural, desportiva (...) e do direito".
"Temos uma visão de balanço em relação aos anos que a Declaração Conjunta já tem, em relação àquilo que foi feito, e do que no futuro" se possa fazer, disse aos jornalistas o responsável, que termina hoje em Hong Kong a visita à China.
O líder da AR encontra-se em Macau, com uma delegação que integra os deputados do Grupo Parlamentar de Amizade Portugal-China Hugo Carneiro (PSD), Paulo Núncio (CDS-PP), Edite Estrela (PS), Felicidade Vital (Chega) e Paula Santos (PCP), depois de ter passado por Pequim e Xangai.
"Portanto, diria, um pensamento construtivo, um pensamento positivo naquilo que temos que fazer e é com esse espírito que nós, enquanto deputados da Assembleia da República, prosseguimos também neste balanço que fazemos da nossa visita", indicou.
Na sexta-feira, primeiro dia em Macau, Aguiar-Branco visitou a Exposição Internacional de Turismo, reuniu-se com o chefe do Executivo, Sam Hou Fai, o presidente da Assembleia Legislativa, André Cheong - ambos falam português - e passou ainda pela Escola Portuguesa de Macau.
O político português fez um "balanço muito positivo" da visita, quer com as entidades oficiais, quer com instituições como a Santa Casa da Misericórdia [de Macau, SCMM], onde testemunhou "uma obra importantíssima, secular".
"Saio com um reforço da importância que significa Macau nas relações entre Portugal e a República Popular da China", resumiu aos jornalistas.
Na SCMM, o responsável agradeceu, esta manhã, o apoio dado às vítimas da depressão Kristin - a instituição em Macau fez um donativo no valor de 300 mil euros à União das Misericórdias Portuguesas.
"Isto significa que a expressão da solidariedade atravessa os milhares de quilómetros que fisicamente nos separam, mas não separam nos valores", disse o líder do parlamento português ao provedor da Santa Casa, António José de Freitas.
Aguiar-Branco foi o primeiro presidente da Assembleia da República de Portugal a visitar Macau.
Depois de uma breve passagem pelas Ruínas de São Paulo e pela Livraria Portuguesa, no centro histórico de Macau, a delegação parlamentar, acompanhada do embaixador em Pequim, Manuel Cansado de Carvalho, e do cônsul-geral em Macau, Alexandre Leitão, reuniu-se à porta fechada com membros da comunidade jurídica portuguesa local.
Sobre a reunião, Aguiar-Branco disse apenas que "o objetivo foi ouvir" a comunidade e que deixa Macau "com informação importante para poder colocar à Comissão Mista, que tem como função ir resolvendo e aprofundando os temas que sejam necessários resolver para que essa relação seja melhor".
"É essa riqueza de informação que levamos e poderemos também, enquanto Assembleia da República, fazer o nosso papel de acompanhamento e fiscalização também da atividade do Governo nesta matéria, da ação externa".
A sétima reunião da Comissão Mista Portugal-Macau, a primeira desde 2019, antes da pandemia de covid-19, está prevista para este mês em Lisboa. Vai contar com a presença do chefe do Executivo da região semiautónoma chinesa, que está em Portugal a partir de 17 de abril.
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