Antonoaldo Neves saiu da companhia aérea em 2020.
O antigo presidente executivo da TAP Antonoaldo Neves rejeitou que o negócio com a Airbus feito pelo ex-acionista David Neeleman tenha lesado a companhia aérea e defendeu que foi fundamental para salvar a transportadora da falência.
"Não considero que lesou a TAP, ao contrário, este cancelamento, juntamente com as novas aeronaves, foram fundamentais para salvar a TAP da falência, avançar no cumprimento dos compromissos assumidos no plano estratégico da privatização, e evitar que a TAP terminasse como outras companhias aéreas europeias que diminuíram significativamente de tamanho", lê-se no depoimento por escrito enviado à comissão parlamentar de inquérito à TAP, datado de 18 de junho.
Antonoaldo Neves saiu da TAP em 2020, no seguimento do auxílio de emergência que deixou a companhia aérea de novo sob o controlo do Estado.
O ex-responsável foi questionado se confirmava que a anulação do contrato para a compra de 12 aviões A350 da Airbus e substituição por 53 aeronaves de outra gama, negociado pelo ex-acionista David Neeleman, lesou a TAP.
"A realidade é que a introdução dos 330-900 e dos 321 Long Range foi fundamental para a expansão da rede da TAP, que passou de 10,6 milhões de passageiros em 2015 para 17,5 milhões em 2019", argumentou o atual presidente executivo (CEO) da Etihad Airways.
O Ministério Público abriu um inquérito ao negócio dos aviões da TAP, na sequência de uma auditoria pedida pela companhia aérea, que concluiu haver indícios de que a transportadora possa estar a pagar mais pelas aeronaves do que as concorrentes.
"[Estes aviões] são ativos valiosíssimos para TAP e para Portugal. Na realidade, a TAP antes da privatização, mesmo com apoio do Estado, não tinha capacidade financeira para pagar seus custos operacionais nem sequer adquirir aviões", realçou o antigo presidente executivo.
Já questionado sobre as interações com o poder político, o ex-CEO explicou que "em qualquer situação, o acionista, seja Governo, seja privado, busca influenciar a gestão da empresa nas suas decisões".
"É de domínio público em Portugal que houve questões onde membros do poder político tiveram visões diferentes sobre decisões na esfera da gestão da empresa. Entretanto, estas diferenças, durante o meu mandato, sempre foram abordadas de forma profissional pela Comissão Executiva e prevaleceu o que está estabelecido no estatuto da empresa", acrescentou Antonoaldo Neves.
Relativamente ao contrato de consultoria com o antigo presidente executivo Fernando Pinto, no valor de 1,6 milhões de euros, Antonoaldo Neves disse que se tratou de "um valioso conselheiro para a Comissão Executiva em diversas áreas", tendo o aconselhamento ocorrido, "como é comum", por "todos os meios disponíveis".
Antonoaldo Neves confirmou ainda que foi delineado um possível acordo para aquisição de capital social da TAP com uma empresa, embora não tenha confirmado tratar-se da Lufthansa por questões de confidencialidade, e que era para ser assinado no primeiro trimestre de 2020.
"A empresa interessada avaliou o 'equity' [valor] da TAP em cerca de 1.000 milhões de euros, manifestou seu interesse na manutenção da equipe de gestão da TAP e propôs entrada gradativa no capital social da empresa e no seu Conselho de Administração", detalhou.
Já o ex-ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, que lembrou nunca ter tido a tutela da TAP, referiu, a propósito dos 55 milhões de euros pagos a David Neeleman para sair da TAP, que foi decidido pelo Governo optar por este acordo "por oposição à alternativa da nacionalização" tendo em conta três fatores: a possibilidade de litígio, o receio do dano reputacional para o Estado "que pudesse afetar um futuro processo de privatização" e "dificuldades posteriores na discussão com a Comissão Europeia".
Outro dos ex-governantes que respondeu por escrito aos deputados foi Álvaro Novo, antigo secretário de Estado do Tesouro, que quis deixar claro que "não participou no processo conducente à aquisição, pelo Estado, pelo montante de 55 milhões de euros, da participação social detida por David Neeleman na TAP".
MPE/JF // MSF
Lusa/Fim
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.