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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

António Costa considera "curioso" caso da notificação ao Conselho de Estado sobre processo Tancos

Primeiro-ministro abordou a questão sobre o processo do furto de material militar em Tancos durante o debate quinzenal.

18 de fevereiro de 2020 às 21:17

O primeiro-ministro considerou "curioso" que, no âmbito do processo sobre Tancos, a notificação ao Conselho de Estado para depor tenha quase dez dias de antecedência face à entrada do ofício no Palácio de Belém.

No debate quinzenal, na Assembleia da República, António Costa abordou a questão do processo sobre o furto de material militar em Tancos, em que depôs por escrito como testemunha, depois de o deputado do Chega, André Ventura, o ter questionado sobre a publicação das suas respostas na página da Presidência do Conselho de Ministros.

"Creio que o segredo de justiça morre na fase de inquérito e fiquei aliás, diria, tranquilo em saber que, chegada a fase em que eu divulguei as respostas que estavam a circular parcialmente sobre esse processo em instrução, esse mesmo processo [não] estava objeto de qualquer tipo de segredo. Sobretudo, depois de ter visto as perguntas que me foram dirigidas, parcialmente as respostas que eu tinha dado, e até uma notificação ao Conselho de Estado com quase dez dias de antecedência até ao ofício ter chegado ao Palácio de Belém. É muito curioso que houvesse segredo", respondeu o líder do executivo.

Nesta parte do debate quinzenal, o primeiro-ministro travou um debate tenso com o deputado do Chega e recebeu uma prolongada salva de palmas de várias bancadas da esquerda parlamentar quando se referiu a recentes afirmações contra si proferidas por André Ventura na sequência do caso de racismo contra o jogador do FC Porto Marega.

"Achei estranho que, depois de ter andado dois dias a dizer que eu era hipócrita, agora, aqui no parlamento, cara-a-cara, não tenha dito nada sobre essa matéria. Ficámos entendidos sobre a sua frontalidade", disse.

Antes, André Ventura tinha considerado "estranho" que a página da Presidência do Conselho de Ministros tenha publicado as respostas que, "alegadamente", o primeiro-ministro terá dado no âmbito de um processo judicial.

"É sabido que o juiz de instrução [Carlos Alexandre] enviou para o Ministério Público uma certidão para investigação de uma eventual violação do segredo de justiça. O senhor primeiro-ministro já respondeu que não teve o domínio dos factos. Qual é a sua responsabilidade política nisto, porque é gravíssimo que isto aconteça numa altura destas?", questionou.

António Costa respondeu: "É bom que não se habitue a tomar as minhas palavras por aquilo que é dito na comunicação social".

André Ventura abriu o debate com dois assuntos, um primeiro sobre um doente que terá morrido à espera de atendimento no hospital de Lamego e um segundo sobre uma fatura de dívida da GNR para pagar a conta de luz na ordem dos 700 mil euros.

"Qual é o país das maravilhas em que não há dinheiro para pagar a luz à GNR? E não diga que é mentira, se não mando-lhe o email esta tarde", declarou o deputado do Chega.

Na resposta, o primeiro-ministro pediu-lhe que lhe enviasse essa fatura.

"Há uma coisa que lhe posso garantir seguramente. A GNR não só não ficará sem luz como continuará a iluminar a vida dos portugueses", reagiu.

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